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sábado, 3 de outubro de 2026

Consolador

 

Consolador

Pags. 8 a 12


Compreendendo o Espírito Santo à luz dos escritos de Ellen White

Merlin Burt 


A doutrina de Deus é um ensinamento cristão fundamental. A compreensão bíblica dos adventistas sobre a Trindade nos auxilia a entender a natureza, os atributos e o caráter divino. Nas últimas décadas, houve um volume significativo de pesquisas sobre a história da compreensão da Divindade pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, especialmente em relação ao papel de Jesus nela. Contudo, há menos textos disponíveis sobre a relação entre Ellen White e a compreensão adventista a respeito do Espírito Santo. Este artigo examina a interpretação da autora sobre o Espírito Santo, ressaltando o impacto de suas afirmações na compreensão adventista e avaliando a veracidade de suas declarações mais explícitas sobre a natureza do Espírito Santo.

DE 1844 ATÉ OS ANOS 1890

Ellen White escreveu amplamente sobre a pessoa do Espírito Santo, mencionando-O quase tão frequentemente quanto à pessoa de Jesus. Desde seus primeiros escritos e ao longo de sua vida, ela seguiu três orientações significativas referentes ao Espírito Santo e à Divindade. Primeiramente, destacou a personalidade de Deus Pai e de Jesus. Entre 1845 e 1846, houve um segmento dos adventistas mileritas que afirmava que Cristo havia retornado de forma espiritual em 22 de outubro de 1844. Esse grupo também espiritualizava a ressurreição, o Céu, a Nova Jerusalém, a Nova Terra, bem como o Pai e a Jesus. Em 1846, Ellen White escreveu sobre a afirmação da personalidade do Pai e de Jesus: "Vi um trono, e nele estavam sentados o Pai e Seu Filho, Jesus Cristo. Olhei fixamente o semblante de Jesus e admirei Sua adorável pessoa. [...] Perguntei a Jesus se Seu Pai tinha forma semelhante à Dele; Ele disse que sim, mas eu não podia contemplá-Lo.”¹

Tiago White e José Bates, outros cofundadores da Igreja Adventista, também se opuseram à visão espiritualizada e, por meio da imprensa, defenderam a personalidade de Jesus e do Pai.² Em segundo lugar, assim como os adventistas em geral, Ellen White entendia o Espírito Santo de maneira prática e demonstrável. A obra do Espírito Santo era evidente e dinâmica em sua experiência cristã e seu ministério. Ela teve centenas de visões e sonhos proféticos e frequentemente vivenciou bênçãos extraordinárias por meio da ação do Espírito Santo. Nos primeiros anos de seu ministério profético, Ellen White enfrentou críticas de pessoas que acreditavam que suas visões eram fruto de hipnotismo e que não havia Espírito Santo. Isso lhe causou uma “terrível angústia, quase ao ponto do desespero”. Ela escreveu: "Muitos queriam fazer-me crer que não havia Espírito Santo e que tudo quanto os homens santos de Deus haviam experimentado não era senão mesmerismo ou enganos de Satanás.”³

Por fim, seu entendimento sobre o Espírito Santo foi fundamentado e centrado na Bíblia. Assim como outros pioneiros adventistas, ela era, antes de tudo, uma estudiosa das Escrituras, tomando cuidado especial para não se afastar da Bíblia em suas descrições do Espírito Santo.

Em 1891, Ellen White respondeu a um homem que pensava que o Espírito Santo era, de fato, o anjo Gabriel, e que os 144 mil seriam judeus que aceitariam Jesus como Messias. Após apresentar princípios fundamentais de interpretação bíblica, ela tratou do tema: "Suas ideias sobre os dois assuntos mencionados não se harmonizam com a luz que me foi dada por Deus. A natureza do Espírito Santo é um mistério não claramente revelado, e você jamais será capaz de explicá-lo a outros, porque o Senhor não lhe revelou." Ela prosseguiu, mencionando João 14:16: "Isso se refere à onipresença do Espírito de Cristo, chamado Consolador." Então admitiu as limitações de seu próprio entendimento: “Há muitos mistérios que não procuro compreender nem explicar; eles são muito elevados para mim e para você. Sobre alguns desses pontos, o silêncio é ouro.”⁴

Na falta de um discernimento especial sobre a natureza e a personalidade do Espírito Santo, ela se manteve firme com as Escrituras e, ao contrário de outros pioneiros adventistas, não definiu a personalidade do Espírito Santo. Isso, no entanto, mudaria em breve.

A PARTIR DOS ANOS 1890

Dois anos depois, em 1893, ela escreveu: “Geralmente, muito pouco tem sido feito da obra de influência do Espírito Santo sobre a igreja. [...] O Espírito Santo é o Consolador em nome de Cristo. Ele personifica Cristo, porém é uma personalidade distinta."⁵

Em 1896, ela mencionou as palavras de Jesus em João 16:7 e 8 e fez sua declaração mais explícita sobre o Espírito Santo como uma Pessoa da Divindade: “O poder do mal estivera se fortalecendo por séculos, e a submissão das pessoas a esse cativeiro satânico era alarmante. O pecado só poderia ser resistido e vencido por meio da poderosa atuação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria não com energia modificada, mas na plenitude do poder divino.”⁶ Não há evidências de que ela tenha recebido alguma visão especial que a motivasse a escrever de forma mais explícita sobre o Espírito Santo. No entanto, como mensageira do Senhor, ela se tornou bastante específica sobre esse assunto na década de 1890. Ao longo de sua vida, ela manteve seu apoio à personalidade e à plena divindade do Espírito Santo.⁷

Por exemplo, Ellen White costumava mencionar João 14–16 e ao Consolador levando a presença de Jesus ao fiel. Ela prosseguiu com esse assunto ao mesmo tempo em que apresentava o Espírito Santo como a terceira Pessoa da Divindade. Ela escreveu: "Embora nosso Senhor tenha ascendido da Terra ao Céu, o Espírito Santo foi designado como Seu representante entre os seres humanos.” Ao citar João 14:15-18, prosseguiu: "Impedido pela humanidade, Cristo não podia estar pessoalmente em todo lugar; portanto, era para total benefício deles que deveria deixá-los, ir para o Pai e enviar o Espírito Santo como Seu sucessor na Terra."⁸

Ellen White se sentia à vontade com a tensão entre o fato de o Espírito Santo ser uma Pessoa e, ao mesmo tempo, representante de Jesus. Uma particularidade da Trindade bíblica é que cada Pessoa indica ou representa as outras (Mateus 3:17; 17:5; Marcos 1:11; 9:7; Lucas 3:22; 9:35).

"ISTO" E "ELE"

Em 1936, H. C. Lacey afirmou que sua série de estudos bíblicos matinais, apresentada em 1895 durante a reunião campal de Armidale, e sua exposição em 1896, em um congresso em Cooranbong, Austrália, influenciou Ellen White a aceitar a personalidade do Espírito Santo. Lacey levantou a hipótese de que, antes da apresentação de seus estudos, ela não tinha utilizado o termo “Pessoa” nem se referido ao Espírito Santo com o pronome pessoal "Ele”⁹.

Contrariando a sugestão de Lacey, uma avaliação das declarações de Ellen White revela que ela empregou o termo "Pessoa” ao se referir ao Espírito Santo já em 1893. Contudo, antes e depois de afirmar explicitamente a personalidade do Espírito Santo, ela empregou os pronomes “Isto" e "Ele” de forma intercambiável.

Em 1884, ela afirmou: “O Espírito Santo exalta e glorifica o Salvador. É sua obra apresentar Cristo.”¹⁰ Em 1891, escreveu sobre "o Espírito Santo trabalhando em nosso coração. E continuou: "[Ele] toma as coisas de Deus e as apresenta de nova maneira à nossa mente”¹¹ Em uma declaração proferida em 1898, ela expressou de forma clara a personalidade do Espírito Santo: "Quando o Espírito de Deus toma posse do coração, transforma a vida.”¹² Em 1900, declarou: “Em verdade, o Espírito Santo saiu a todo o mundo; Ele atua no coração das pessoas em toda parte."¹³

O livro O Desejado de Todas as Nações não só contribui para a compreensão da personalidade do Espírito Santo, como também ensina de forma clara a eternidade de Jesus e Sua completa igualdade com o Pai. A afirmação: “Em Cristo, há vida original, não emprestada, não derivada”,¹⁴ ao lado de outras declarações sobre a divindade de Jesus, auxiliou muitos adventistas a reavaliar as Escrituras a fim de entender o papel de Cristo na Divindade.

VERACIDADE DAS DECLARAÇÕES

Há quem acredite na autoridade profética dos escritos de Ellen White, mas rejeite a personalidade do Espírito Santo e seu papel na Trindade. No entanto, esses textos colocam essas pessoas em situação complicada. Em resposta, geralmente alegam que secretárias ou editores de Ellen White incluíram as declarações sem o conhecimento dela. Em 2006, Tim Poirier, que foi diretor associado do Patrimônio Literário de Ellen G. White, publicou uma monografia esclarecedora na qual rastreou essas afirmações até sua fonte original.

Rascunhos originais de pelo menos quatro declarações de Ellen White estão disponíveis.¹⁵ Outros documentos podem ser acessados na forma impressa original, contendo anotações manuscritas nas páginas.¹⁶ No topo de um desses documentos, encontra-se a seguinte anotação: “Tenho lido cuidadosamente sobre isso, e o tenho aceitado.”¹⁷ Algumas dessas declarações foram divulgadas de diversas maneiras. A escritora arcou com os custos de publicação das chapas de O Desejado de Todas as Nações e de outras obras. Além disso, após a publicação da primeira edição de O Desejado de Todas as Nações, ela fez correções na segunda edição. O nível de veracidade de suas declarações é considerável, e os editores têm dificuldade em sustentar que ela não tenha escrito as afirmações publicadas.

Os adventistas do sétimo dia acreditam que Ellen White recebeu o dom profético. Suas declarações exerceram uma influência considerável no desenvolvimento da compreensão adventista da Trindade, especialmente ao apoiar a natureza eterna e original de Jesus, além da plena divindade e personalidade do Espírito Santo. No entanto, as doutrinas adventistas se baseiam na autoridade das Escrituras. Ellen White entendia que sua função profética era guiar um povo a reconhecer a Bíblia como autoridade suprema e base de toda fé e prática.¹⁸

Em várias situações, ela definiu a relação entre seus escritos e a Bíblia. Em uma de suas afirmações mais fascinantes, ela descreveu seu ofício profético: “Eu tenho uma obra de grande responsabilidade para fazer – comunicar por escrito e de viva voz as instruções a mim concedidas, não somente para os adventistas do sétimo dia, mas para o mundo. Publiquei muitos livros, grandes e pequenos, e alguns deles foram traduzidos para várias línguas. Esta é minha obra: revelar para outras pessoas as Escrituras, assim como Deus a mim as revelou.”¹⁹

Temos uma visão bíblica mais abrangente sobre o Espírito Santo devido aos escritos de Ellen White. Devemos agradecer a Deus por nos ter guiado ao longo da história da igreja para construir uma compreensão bíblica, por meio da atuação do Espírito Santo no dom de profecia.

MERLIN BURT é diretor do Patrimônio Literário de Ellen G. White, em Silver Spring, EUA

Referências

¹ Ellen Harmon, Day Star, 14/3/1846, p. 7.

² James White, Review and Herald, 11/12/1855, p. 85.

³ Ellen G. White, Primeiros Escritos (CPB, 2022), p. 38.

⁴ Ellen G. White, Carta ao irmão Chapman, 11/06/1891, em Manuscript Releases (White Estate, 1990), v. 14, p. 175, 179.

⁵ Ellen G. White, Manuscript Releases (White Estate, 1993), v. 20, p. 323, 324.

⁶ Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (CPB, 2021), p. 540.

⁷ Por exemplo, Ellen G. White, Filhas de Deus (CPB, 2024), p. 183-185.

⁸ Ellen G. White, Carta 119, 1895.

⁹ H. C. Lacey a W. C. White, 17/07/1936 (Center for Adventist Research, Andrews University).

¹⁰ Ellen G. White, Signs of the Times, 03/04/1884, p. 209.

¹¹ Ellen G. White, Review and Herald, 25/08/1891, p. 529.

¹² White, O Desejado de Todas as Nações, p. 128.

¹³ Ellen G. White, Parábolas de Jesus (CPB, 2022), p. 35.

¹⁴ White, O Desejado de Todas as Nações, p. 423.

¹⁵ Tim Poirier, Ellen G. White's Trinitarian Statements, Manuscrito 93,1893; Manuscrito 57, 1900; Manuscrito 20, 1906; Manuscrito 21, 1906.

¹⁶ Carta 8, 1896; Manuscrito 27a, 1900; Manuscrito 57, 1900; Manuscrito 20, 1906; Manuscrito 21, 1906.

¹⁷ Manuscrito 20, 1906.

¹⁸ Ellen G. White, A Sketch of the Christian Experience and Views of Ellen G. White (1851), p. 64.

¹⁹ Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja (CPB, 2021), v. 8, p. 194.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sábado no tempo do fim

 

Sábado no tempo do fim

Pags. 14 a 17

Reflexões sobre o papel escatológico do quarto mandamento

ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ


A escatologia adventista confere ao quarto mandamento um papel significativo pouco antes da vinda de Cristo. Essa ênfase escatológica específica levanta pelo menos uma questão: quais são os fundamentos que nos permitem atribuir essa importância ao sábado? A seguir, apresento algumas sugestões que podem ser úteis para responder à nossa pergunta. Essas ideias pressupõem o entendimento da narrativa do querubim celestial caído (Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-19), que desafiou a integridade do caráter divino (cf. Gênesis 3:4, 5; João 1:8-11) e buscou ser como Deus, afirmando ser um objeto legítimo de adoração (Mateus 4:8-10).

O AMOR DE DEUS

Embora seja mencionado como lei, o sábado confirma a veracidade do evangelho eterno e nos incentiva e ordena sua lembrança. O quarto mandamento é o único que cita Deus explicitamente, referindo-se às Suas duas obras mais importantes: criação (Êxodo 20:8, 11) e redenção (Deuteronômio 5:15).

Quais são as semelhanças entre criação e redenção? Há muitas, mas citarei apenas algumas. Elas são resultado da obra do Filho de Deus (João 1:1-3; 14; Romanos 3:23, 24), o que exige uma interpretação cristológica de ambas (cf. Colossenses 1:15-20). São obras únicas de Deus realizadas por intermédio de Seu Filho e estão envolvidas em um aspecto essencial do evangelho: não são fruto de esforços humanos (Romanos 3:20).

Criação e redenção são as duas manifestações mais poderosas da ação divina que conhecemos. A imensidão do Universo indica que sua origem foi uma esplêndida manifestação do poder de Deus. A manifestação incomparável de Sua graça salvadora (Romanos 5:20) é o envolvimento pessoal e direto do Senhor na obra da redenção por intermédio de Cristo, que possibilita a restauração de cada indivíduo à comunhão permanente com Ele.

Uma das principais semelhanças entre criação e redenção é que ambas expressam o amor divino. O Deus que criou tudo por amor nos deu o sábado para nos lembrar de que Ele é um Criador amoroso. O Deus que nos redimiu por meio do amor e da graça nos concedeu o sábado como um lembrete de que a redenção é um dom do Seu amor e da Sua graça. O sábado é uma prova maravilhosa do amor de Deus como Criador e Redentor. Assim, não é surpreendente que, ao final do conflito cósmico, o sábado se torne um alvo de ataques das forças malignas que se opõem ao evangelho da salvação por meio da fé em Cristo (Apocalipse 12:4; 14:8). Elas tentarão alcançar isso por meio da marca da besta. Satanás tem como objetivo silenciar o testemunho do sábado, que representa o primeiro ato de amor divino na história do cosmos e do evangelho da salvação, que é realizado pelo amor sacrificial de Cristo (Apocalipse 14:13; 13:15). Contudo, o testemunho do sábado não será calado.

O CARÁTER DE DEUS

O querubim caído parece acreditar que modificar o quarto mandamento seria um meio eficiente para alcançar seus propósitos malignos. Desde o início, ele esteve em conflito aberto contra a vontade de Deus, mas sua hostilidade contra a lei é claramente exposta na literatura apocalíptica (cf. Daniel 7:25; 2 Tessalonicenses 2:3, 4, 7, 8). Sua oposição à lei divina disfarça um ataque direto contra o Senhor.

Como o Decálogo reflete verbalmente o caráter divino, qualquer mudança na lei representa um ataque à integridade e à perfeição desse caráter, insinuando que Deus não é quem afirma ser, conforme a serpente sugeriu a Eva (Gênesis 3:4, 5). Se houvesse necessidade de alterar a lei de Deus, isso indicaria claramente que a lei, e especialmente o Legislador, é falha e necessita de aprimoramentos. Como resultado, Lúcifer parece defender que desobedecer a uma lei imperfeita é legal e moralmente aceitável.

A alteração mais significativa aconteceu quando se buscou substituir a observância do sábado pela guarda do domingo. Dessa forma, Satanás buscava descreditar o caráter divino e exibir sua autoridade sobre a lei. Ao aceitar a mudança e obedecer ao "mandamento" modificado, os seres humanos, de fato, negam a integridade do caráter amoroso de Deus. Isso justifica a relevância do Decálogo, que reflete o caráter do Senhor, no livro do Apocalipse (Apocalipse 12:17; 14:12).

SÁBADO E ADORAÇÃO

Mudar o quarto mandamento, trocando o dia de descanso e adoração, resultaria na adoração de um deus falso. É importante ter em mente que o mandamento do sábado não diz respeito ao descanso em um dia comum, mas está ligado a um dia sagrado. Esse é o tempo em que Deus e os fiéis se encontram, liberando os observadores do sábado das preocupações com produtividade ou obras humanas. Entramos nesse período sagrado para estar em comunhão com nosso Criador e Redentor, adorando-O. De fato, a santidade do sétimo dia, o sábado, é um "espaço no tempo" que foi divinamente estabelecido para adorar a Deus.

Atualmente, a maior parte do mundo cristão considera o domingo como o dia verdadeiro de culto. Parece que o objetivo de Satanás foi alcançado: ele mudou a lei no ponto em que se encontra com a adoração. De fato, eles são inseparáveis; portanto, mudar o quarto mandamento leva à idolatria. Isso é incrivelmente engenhoso e extremamente enganoso!

Ao modificar o quarto mandamento, o querubim caído parece ter alcançado seu objetivo: desacreditar o caráter divino e se tornar objeto de adoração. Para ele, o sábado precisa acabar! Assim, é imprescindível que a humanidade ouça novamente o evangelho da salvação por meio da fé em Cristo, que não contraria a lei divina expressa no Decálogo. A perpetuidade da lei deve ser proclamada não como um instrumento de salvação, mas como prova da salvação por meio da fé em Cristo.

SINAL DE LEALDADE

O sábado ocupa o centro do Decálogo, e sua singularidade e especificidade o tornam um sinal ideal de lealdade a Deus. No idioma hebraico, o Decálogo, conforme apresentado em Êxodo 20:3-17, é composto por 152 palavras. Para encontrar o centro, basta dividir 152 por dois, resultando em 76 palavras em cada lado. O versículo 10 é o centro do Decálogo. A 76ª palavra é "sétimo", enquanto na outra seção é "sábado". A seguinte frase está no centro do Decálogo: Mas o sétimo dia é um sábado "pertencente ao", "em honra de", ou "para" o Senhor.

Sob a perspectiva literária, a frase específica ocupa o centro dos Dez Mandamentos, e considerando o que sabemos sobre a narrativa bíblica do sábado, isso não é uma coincidência. Sabemos que essa frase adquiriu grande relevância na história da observância do sábado. A especificidade do mandamento, expressa na frase "o sétimo dia é o sábado", perturbou tanto o mundo cristão que se optou por removê-la, sob a justificativa de que "o sétimo dia” é um elemento ritual do quarto mandamento sem nenhuma relevância para os cristãos.

Entretanto, é exatamente a especificidade do mandamento – ser o sétimo dia – que o torna um sinal de fidelidade ao Senhor no meio do conflito cósmico e que enfatiza o privilégio humano de viver em comunhão com esse Deus santo. Satanás exige lealdade exclusiva e se opõe ao sinal de fidelidade a Deus no tempo do fim, oferecendo ironicamente um falso sábado, o primeiro dia da semana, como sinal de lealdade a ele: a marca da besta (Apocalipse 13:16). Entretanto, a lei de Deus é perfeita (Salmo 19:7) e inalterável, pois reflete o caráter divino.

CONCLUSÃO

O papel escatológico do sábado no tempo do fim está ligado ao propósito divino de que ele sirva como um testemunho do evangelho da salvação por meio da fé em Cristo. Isso é inaceitável para o querubim caído, que tenta divulgar seu evangelho falso. As forças do mal se opõem ao sábado bíblico, pois ele serve como um lembrete constante para a humanidade de que criação e redenção são as expressões mais significativas do amor divino.

O sábado associa um mandamento específico à verdadeira identidade do objeto de adoração, e essa particularidade o converte em um sinal visível e efetivo de fidelidade ao Cordeiro, em um período em que as forças malignas batalham contra Ele, Sua lei e Seu caráter.

Assim, a observância do sábado pelo povo de Deus servirá como um sinal, um testemunho para o mundo, demonstrando que o Criador e Redentor é um Deus amoroso e cheio de misericórdia, e que o descanso é encontrado por meio da fé em Cristo. O Cordeiro de Deus vencerá a oposição escatológica contra Ele (Apocalipse 17:14).

ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ, pastor, professor e teólogo aposentado, foi diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica

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