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sábado, 5 de setembro de 2026

Religião Positiva

 

Religião Positiva

Pag. 1

ESTAVA um obreiro em visita a um casal de interessados, quando entra na sala a mãe da senhora. Após a troca de cumprimentos, observa ela:

- Os senhores são muito estreitos: para ingressar em sua igreja não se pode usar uma jóia, um brinco, uma vaidadezinha qualquer... Os senhores tolhem a liberdade da gente!

- Ah! respondeu o obreiro; a senhora se aproxima da religião pelo lado negativo. Temos de considerá-la pelo ângulo positivo. A religião não são proibições, restrições. Em vez de dizer: "A religião me proíbe fumar, beber, dançar", digamos: Graças à minha religião, libertei-me dos vícios. Já não tenho prazer em fumar, beber, dançar. Estou livre desses embaraços e despesas." Temos de ver nessas chamadas proibições, bênçãos e privilégios. A religião é liberdade, e não escravidão...

Ignoramos se a ligeira observação do obreiro, naquele dia, teve alguma influência sobre a atitude mental da distinta senhora. O que sabemos é que poucos meses depois èsse mesmo obreiro teve a satisfação de ministrar o batismo àquela senhora, já livre das incômodas peias de suas dantes acariciadas "vaidades inocentes". E é de ver-se a alegria que, apesar da tremenda oposição que sofre, se lhe estampa no rosto, nos gestos e palavras!

E assim é. O povo, em geral, tem idéia muito acanhada da religião, e especialmente da fé adventista. Os do mundo a têm, e entre nós mesmos, há os que participam, em ponto menor, dessa idéia tacanha e perigosa.

É que os crentes se dividem em dois grupos, que assim se podem definir: os que são melhorados, aperfeiçoados, transformados pela verdade que abraçaram, e os que não permitem que tal se dê, preferindo deixar-se enlear ainda pela sedução dos chamados prazeres. São os saudosistas do Egito. Como a mulher de Ló, olham ainda para o que tiveram de deixar atrás. Quais israelitas murmuros, têm e nutrem saudades do que o Egito do pecado lhes proporcionava. A verdade não se apoderou dêles. Possuem a verdade, mas esta não os possui. Não foram por ela tomados, transformados. Não se entregaram incondicionalmente a el. Fazem reservas mentais - às vezes numerosas...

Nos olhos, nos gestos, no coração, lobriga-se-lhes a queixa tácita: "Que pena! Quanta coisa tive que deixar, para me tornar adventista! Podia haver menos rigor... Aquêle cigarrinho perfumado... o delicioso cálice de vinho do Porto... e o cinema ali da esquina... e os rodopios no salão de baile..." 

Revista Adventista - Agosto 1960 - Pg. 1

Como Devemos Orar

 

Como Devemos Orar

Pag. 14

HÉLIO CRUZ

MUITAS pessoas consideram a oração um S.O.S., pedindo a Deus alguma coisa de que necessitam numa emergência. Quando não sabem mais o que fazer, dizem: "Acho que agora só nos resta orar."

A oração, entretanto, deve ser como a respiração — uma resposta diária ao nosso Pai celestial que nos deu a vida. Bàsicamente, há cinco coisas que devemos fazer em nossas orações:

* Louvar a Deus. Como o poder de Deus é infinito, nossa admiração e nosso respeito por Ele devem ser irrestritos. Por conseguinte, nosso sentimento em relação a Sua Pessoa tem um nome reservado para Êle sòmente: Adoração. A prece de adoração começa com um simples reconhecimento do que Deus é, e passa à meditação sobre Sua misteriosa grandeza e Seu cuidado para conosco.

* Pedir Perdão. Mais do que qualquer Pai terreno, Deus tem tido trabalho para fazer-nos compreender que Ele está disposto a nos perdoar. Podemos apresentar-Lhe, portanto, os nossos pecados, pois sabemos que Seu amor e Sua acolhida nos esperam. "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo." I S. João 2:1. Com esta base, não nos entregaremos ao desespêro de nos vermos como realmente somos.

* Dar Graças. Nós, cristãos, salientamos a ação de graças pela redenção do mundo através de Jesus Cristo, mas agradecemos a Deus por outras coisas também. Há o fato de simplesmente estarmos aqui neste mundo, e o fato de Deus o manter em funcionamento. Nós Lhe agradecemos pelos bons momentos, pela boa alimentação, por nos livrar de cair em tentação etc. Este tipo de oração aumenta, na verdade, nossa alegria, porque nos torna mais sensíveis às boas coisas da vida, intensifica nossa apreciação e nos ajuda a sermos mais modestos e amáveis. Essa não é, porém, a razão principal da oração; a motivação certa para ela é ceder a Deus o que Lhe é devido


Revista Adventista - Janeiro 1970 - Pg. 14

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Mensagem de advertência final.

 Mensagem de advertência final.

                Ao mundo e à igreja.


1.             Promessas

·     Voltarei. -  João 14: 1-3

·     Estarei convosco todos os dias -  Mat. 28: 19, 20 

2.             Certezas

·     Quem crer em Jesus, não perece, mas tem a vida eterna. João 3:16.

·     Quem crer e for batizado será salvo. Marcos. 16: 15, 16 

3.             Urgência

·     Os Anjos tocam as trombetas. Apoc. 14; 6 e 7

·     Nosso dever é fazer nossa parte. Também devemos tocar a Trombeta e pregar a mensagem com zelo e fervor. Joel 2: 1 – 3

·     Tocar com urgência. Sofonias 1: 14 - 18

4.             Poder para essa cumprir Missão

·     Jesus prometeu o Espírito Santo. Atos 1: 8

·     No antigo testamento a promessa já havia sido feita. Joel. 2: 28, 29                                                    

5.             Que devemos fazer para receber o Espírito Santo?

·     Converter.  Joel 2: 12. 13

·      Jejuar. Joel 1: 14.

·     Buscar com fervor. Sofonias 2: 3

·     Congregar o povo e santificai a congregação, e chorar por santificação. Joel 2; 16, 17           

 Qual é nossa situação atual?

Deplorável Convicção Está Ganhando Terreno

Ellen White

“Está ganhando terreno no mundo a convicção de que os adventistas do sétimo dia estão dando à trombeta um sonido incerto, de que estão seguindo os caminhos dos mundanos. Há em... (Battle Creek e hoje na igreja atual) famílias que se estão separando de Deus, planejando contrato de casamento com os que nenhum amor têm a Deus, com os que levam vida frívola, os que nunca praticaram a abnegação, e não sabem por experiência o que significa ser colaboradores de Deus. 

Coisas estranhas estão sendo tramadas. Aspectos falsos do cristianismo estão sendo recebidos e ensinados, e que prendem a alma na falácia e engano. Os homens estão andando à luz das centelhas que eles mesmos acenderam.

Os que amam e temem a Deus não descerão ao nível do mundo, escolhendo a companhia dos vãos e levianos.

Não ficarão encantados com os homens e mulheres que não são convertidos. Eles testemunharão de Jesus e então Jesus os defenderá.  Test Para Ministros 1. Pag. 86, 87 

 O Preparo Para o Encontro

Test. Seletos. Vol. 1 - Pag. 23 

“Vi que não devemos retardar a vinda do Senhor. Disse o anjo: "Preparai-vos, preparai-vos para o que há de vir sobre a Terra. Correspondam vossas obras à fé que professais." Vi que a mente deve estar firme em Deus, e que nossa influência deve testemunhar de Deus e Sua verdade.

Não podemos honrar o Senhor quando somos descuidosos e indiferentes. Não O podemos glorificar quando estamos desalentados. Cumpre-nos ser sinceros para assegurar a salvação da própria alma, e para salvar a outros. Devemos dar a isto toda a importância, e tudo mais deve vir em segundo lugar.

Vi a beleza do Céu. Ouvi os anjos cantarem seus cânticos arrebatadores, rendendo louvor, honra e glória a Jesus. Pude então avaliar alguma coisa do assombroso amor do Filho de Deus. Ele abandonou toda a glória, toda a honra que tinha no Céu, e tão interessado estava em nossa salvação, que suportou paciente e mansamente toda a indignidade e desprezo que o homem sobre Ele pôde amontoar.

Foi ferido, machucado, moído; foi estendido na cruz do Calvário, e sofreu a mais angustiosa das mortes, para que da morte nos salvasse; para que fôssemos lavados em Seu sangue, e ressuscitados para viver com Ele nas mansões que está preparando para nós, e pudéssemos desfrutar a luz e a glória do Céu, ouvir os anjos cantarem, e com eles cantarmos também.

Vi que todo o Céu está interessado em nossa salvação; e seremos nós indiferentes? Seremos descuidosos, como se fosse coisa de pouca importância o sermos salvos ou perdidos? Menosprezaremos o sacrifício feito por nós? Alguns assim têm feito. Têm brincado com a misericórdia que lhes é oferecida, e o desagrado de Deus está sobre eles. 

O Espírito de Deus não será para sempre ofendido. Retirar-Se-á, caso seja ofendido por um pouco mais de tempo. 

Depois de ter sido feito tudo quanto Deus podia fazer para salvar os homens, caso eles mostrem por sua vida que menosprezam a oferecida misericórdia de Jesus, a morte será o quinhão deles. Será uma terrível morte; pois terão de sofrer a angústia sentida por Cristo, na cruz, a fim de adquirir para eles a redenção que recusaram. E compreenderão aí o que perderam - a vida eterna, a herança imortal. O grande sacrifício feito para salvar almas, mostra-nos o valor delas. Uma vez perdida a preciosa alma, está perdida para sempre”.

O Anjo com as Balanças

Vi um anjo com balanças na mão, pesando os pensamentos e interesses do povo de Deus, especialmente dos jovens. Num prato estavam os pensamentos e interesses que tendiam para o Céu; no outro achavam-se os que se inclinavam para a Terra. 

E nessa balança era lançada toda leitura de livros de histórias, pensamentos acerca do vestuário e exibição, vaidade, orgulho, etc. Oh! que momento solene! Os anjos de Deus em pé com balanças, pesando os pensamentos de Seus professos filhos - aqueles que pretendem estar mortos para o mundo e vivos para Deus! O prato cheio dos pensamentos da Terra, vaidade e orgulho, desceu rapidamente, e não obstante peso após peso rolou do prato.

O que continha os pensamentos e interesses que se voltavam para o Céu subiu ligeiro enquanto o outro descia e, oh! Quão leve estava ele! Posso relatar isso pelo que vi, mas nunca poderei dar a impressão solene e vívida gravada em minha mente, ao ver o anjo com a balança pesando os pensamentos e interesse do povo de Deus. Disse o anjo: "Podem esses entrar no Céu? Não, não, nunca. Diga-lhes que a esperança que agora possuem é vã, e a menos que se arrependam depressa e obtenham a salvação, hão de perecer."

Uma forma de piedade não salvará ninguém. Todos devem possuir profunda e viva experiência. Unicamente isto os salvará no tempo de angústia. Então será provada de que espécie é sua obra; e se ela for ouro, prata e pedras preciosas, eles serão ocultos na fortaleza do Senhor. Mas, se sua obra for madeira, feno ou palha, coisa alguma os poderá proteger do furor da ira de Jeová.

Dos jovens, bem como dos de mais idade, será exigida uma razão da esperança que têm. Mas a mente destinada por Deus para coisas melhores, formada para servi-Lo perfeitamente, tem-se fixado em coisas destituídas de senso, em vez de nos interesses eternos. A mente que é deixada a vaguear aqui e ali está tão apta a compreender a verdade, a prova bíblica da observância do sábado e o verdadeiro fundamento da esperança cristã, como a estudar a aparência, as maneiras, o vestuário, etc. E os que dão rédea solta à mente para divertir-se com histórias tolas e contos ociosos, alimentam a imaginação, mas o brilho da Palavra de Deus lhes fica eclipsado. A mente é desviada diretamente de Deus. É destruído o interesse em Sua preciosa Palavra.

Nosso Livro-Guia

Foi-nos dado um livro para nos guiar os pés através dos perigos deste mundo escuro, em direção ao Céu. Diz-nos como podemos escapar da ira de Deus, e conta-nos também os sofrimentos de Cristo por nós, o grande sacrifício feito a fim de sermos salvos e desfrutarmos para sempre a presença do Senhor. E se alguém estiver em falta afinal, tendo ouvido a verdade como tem ouvido nesta terra esclarecida, será sua própria culpa; será indesculpável. A Palavra de Deus diz-nos como nos podemos tornar cristãos perfeitos, e escapar às sete últimas pragas. Mas eles não tiveram nenhum interesse em verificar isto. Outras coisas lhes distraíam a mente, acariciaram ídolos, e a santa Palavra de Deus foi negligenciada e desprezada. Por professos cristãos Deus foi considerado de pouca importância, e quando Sua santa Palavra os julgar no derradeiro dia, serão encontrados em falta.

Essa Palavra que eles negligenciaram por tolos livros de histórias, (hoje: jogos, desenhos, filmes novelas etc.) lhes servirá de prova para a existência. Ela é a norma; seus motivos, palavras e obras, e a maneira por que empregam o tempo, serão todos comparados com a Palavra de Deus escrita; e se estiverem em falta então, seus casos estarão decididos para sempre

Nosso Único Modelo

Vi que muitos se comparam entre eles mesmos, e comparam sua vida com a de outros. Não deve ser assim. Ninguém, senão Cristo, nos é dado como exemplo. Ele é nosso verdadeiro modelo, e todos devem esforçar-se por imitá-Lo. Ou somos coobreiros de Cristo, ou coobreiros do inimigo. Ou ajuntamos com Cristo, ou espalhamos.  Ou somos cristãos decididos, de todo o coração, ou nada somos. Diz Cristo: "Oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da Minha boca." Apoc. 3:15 e 16.

Vi que muitos, mal sabem ainda o que seja abnegação ou sacrifício, ou o que seja sofrer por amor da verdade. Mas ninguém entrará no Céu sem fazer algum sacrifício. 

Cumpre cultivar o espírito de abnegação e sacrifício. Alguns não se sacrificaram a si mesmos, a seu corpo, sobre o altar de Deus. Condescendem com o temperamento caprichoso, impulsivo, satisfazem os próprios apetites e cuidam dos próprios interesses egoístas, sem consideração para com a causa de Deus. Os que estiverem dispostos a fazer qualquer sacrifício pela vida eterna, tê-la-ão; e vale a pena que soframos por sua causa, que por ela crucifiquemos o próprio eu, e sacrifiquemos todo ídolo.

O excelente peso eterno de glória absorve tudo, e eclipsa todo prazer terreno. -Testemunhos Seletos. Vol. 1. Págs 23 – 26


Conclusão

1.             Jesus nos deu promessas e certezas

· Salvação Gratuita e Voltará para nos buscar

·     Pede urgência

·     Prometeu poder do Espírito Santo

2.             Para receber este poder devemos:

·     Nos converter

·     Jejuar

·     Buscar com fervor. Os Pastores, anciãos e o povo em geral

·     Congregar o povo na igreja

·  Nossa situação não é boa. 

    Mas poderemos mudar

Sois Felizes no Senhor?

Sois Felizes no Senhor?

Pags. 1 e 2

MEADE MACGUIRE

QUANTAS vezes ouvimos dizer: "Bem, todos nós temos mais ou menos uma vida cheia de altos e baixos, se bem que me parece que alguns de nós estão mais vezes em baixo do que no alto." O lamentável acerca de observações como essas, é que tantas pessoas parecem tomar isto como coisa certa, e não fazem esforços para descobrir se é possível uma mudança.

Não quero com isto afirmar que se possa viver por muito tempo neste mundo arruinado pelo pecado, sem decepções, sofrimento e dor. A questão é se a pessoa pode enfrentar todas essas vicissitudes da vida, inclusive perda de propriedades, de amigos, saúde ou entes queridos, e ainda experimentar aquela paz interior e tranquilidade que coisa alguma pode perturbar.

Se devemos possuir aquela vida crista que satisfaz, precisamos assentar de uma vez para sempre que a Palavra de Deus quer dizer exactamente o que diz. Com demasiada frequência procuramos ajustar a Palavra a nossas próprias ideias, de preferência a pôr nossas teorias de acordo com as Escrituras. Talvez alguém diga: "Estou certo de que a Bíblia não quer dizer isto, pois tentei-o, e não deu certo". Outros, com mais fé e discernimento, ou com mais perseverança, acham que dá resultado. Resolvamos pegar a Deus em Sua Palavra, com absoluta certeza de que ela não pode falhar.

Uma vez escreveu o apóstolo Paulo: "Regozijai-vos sempre". I Tessalonicenses 5:16. E outra vez, quando escrevendo aos irmãos, disse: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos". Fil. 4:4. Não disse: Regozijai-vos no Senhor apenas quando estiverdes passando por alguma dolorosa prova, ou aflição, ou desapontamento. Disse, antes: "Regozijai-vos sempre".

Escrevendo, porém, sua epístola aos irmãos romanos, ele disse: "Em Cristo, digo a verdade, não minto (dando-me testemunho minha consciência no Espírito Santo): que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração". Rom. 9:1 e 2. Se considerarmos isto superficialmente, poderemos ter a impressão de que o apóstolo não praticava aquilo que pregava. Mas ao vermos justamente o que ele tinha na ideia, compreendemos que não há contradição nestas declarações. Quando ele escreve acerca de "grande tristeza e contínua dor" em seu coração, está pensando nos entes queridos não salvos. E novamente ele fala de grande alegria por causa de almas por ele levadas a Cristo, as quais são fiéis e leais a seu Mestre.

"Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio de consolação; superabundo de gozo em todas as nossas tribulações." II Cor. 7:4. É evidente que podemos ter grande alegria e grande tristeza no coração ao mesmo tempo.

Penso na terrível tragédia que sobreveio a uma de nossas cidades anos atrás. Uma grande represa estava a ponto de rebentar, e um homem correu velozmente através do estreito vale, clamando e advertindo o povo para que subisse ràpidamente ao monte antes que viesse a inundação. Muitos não avaliaram a seriedade da situação, e levaram muito tempo a se aprontar. A enchente veio rugindo vale abaixo, destruindo lares e afogando muita gente. Tenho imaginado aquele homem, depois que passou a inundação, ao olhar os corpos de homens e mulheres e crianças que jaziam na margem, com coração profundamente triste. Ao mesmo tempo, exultava por ter consigo sua família.

Faz algum tempo, um homem me falava acerca de seus quatro filhos. Ele e a esposa haviam mourejado e se sacrificado e orado pelos filhos, e os tinham mandado à escola paroquial, a ginásio e colégio nossos. Tinham agora o coração pleno de alegria e de louvor a Deus, pois esses filhos eram todos zelosos e consagrados obreiros na causa do Senhor. Falou-me depois em seu irmão, cujos filhos receberam educação superior, mas não em nossas escolas. Acham-se todos em posições do mundo, sem nenhum interesse na causa de Deus. Sei que, ao passo que esse homem se regozija por causa dos próprios filhos, tem grande tristeza e dor pela família de seu irmão.

Há, provavelmente, muitas pessoas que, se se vissem herdeiras de uma fortuna, ficariam quase histéricas de alegria. E se, por qualquer infortúnio, perdessem tudo isso, seu pesar e acabrunhamento seria tão profundo como o oceano. Isto mostra simplesmente como os sentimentos são afectados pelas circunstâncias. A alegria e a felicidade de um cristão, no entanto, têm origem diversa. Jesus disse: "Como o Pai me amou, Eu vos amei a vós; permanecei no Meu amor. Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor. Tenho-vos dito isto, para que o Meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. O Meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei." S. João 15:9-12.

A alegria relaciona-se intimamente com o amor. Em verdade, o amor é a fonte de toda verdadeira alegria e felicidade que temos nesta vida, ou havemos de ter na vida futura. Se conhecemos realmente a Jesus, havemos de amá-l'O; e, se O amamos, obedecer-Lhe-emos. "Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra". S. João 14:23. Se Lhe obedecermos, permaneceremos n'Ele; e essa relação afastará todo cuidado e ansiedade e temor de nossa vida, enchendo-nos o coração de alegria e paz. "A vida em Cristo é uma vida de tranquilidade." - Vereda de Cristo. É cultivando a consciência dessa constante presença de Jesus, nosso terno, amante e todo-poderoso Redentor, que nos erguemos acima dos cuidados e ansiedades que pesam esmagadoramente sobre os que não aprenderam o grande segredo de lançar sobre o Senhor todos os seus cuidados.

Pensamos na velha história do homem que ia mourejando estrada afora, sob pesado fardo. Foi alcançado por um carro e o guia convidou-o bondosamente a tomar lugar no veículo. Com prazer aceitou ele o oferecimento, e sentou-se, mas conservou o fardo nos ombros. Disse-lhe então o dono do carro: "Por que não deposita o fardo no carro?" "Oh", respondeu o homem, "o senhor já foi tão bondoso em me dar um lugar, que eu não podia pedir-lhe que levasse também minha carga!" Quantos cristãos andam a cumprir seus deveres com coração triste e pesado, porque levam seu fardo ao Senhor, mas não Lho depositam aos pés!

Muitos de nós ficaríamos surpreendidos se considerássemos seriamente a positiva declaração feita por Jesus a Seus discípulos, e que se aplica certamente a todos os que O seguem. "E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." S. Mat. 18:2 e 3. Não seria bom se nos dirigíssemos frequentemente a pergunta: Estou eu convertido, e sou como uma criança? Que queria Jesus dizer com essa declaração? Diz a Escritura: "O justo viverá da fé". Não é a fé o mais surpreendente e predominante traço de uma criança? A criança vive pela fé. Confia que os pais lhe satisfaçam todas as necessidades, que a protejam do perigo, resolvam-lhe os problemas presentes e futuros. Não nos surpreenderíamos de ver uma criança andar o dia inteiro a sorrir e cantar, livre de cuidados, caso possua pais cristãos, nobres e amorosos. Por que não confiaríamos em nosso Pai celeste tão implicitamente como uma criancinha confia em seus pais terrestres?

Talvez nenhum texto das Escrituras nos seja mais familiar que S. Mateus 1:21: "Chamarás o Seu nome Jesus; porque Ele salvará o Seu povo dos seus pecados". Aceitamos isto como o próprio fundamento do evangelho. Todavia não deixamos, com o espírito de uma criança, que Ele nos salve de nossos pecados. Concordamos em que Ele nos quer salvar, e que, sendo todo-poderoso, é capaz de fazê-lo, e ansiamos muito ser salvos de nossos pecados; no entanto, lutamos por anos, muitas vezes deprimidos, desanimados e em desespero porque não podemos obter a vitória sobre esses pecados. Certamente esta não é a atitude de uma criancinha. Quão preciosa nos deve ser a certeza: "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com acção de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos

Revista Adventista - Março 1950 - Pg 1,2

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