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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Até que Ele venha

 

Até que Ele venha

Pag. 4

Uma espera marcada pela fé, comunhão e missão

STANLEY ARCO

Há uma tensão aparente entre o “já” e o “não ainda"; entre a iminência da segunda vinda e a aparente demora no cumprimento da promessa. Por um lado, Jesus e os apóstolos exortam a viver com senso de urgência, pois o Senhor “está às portas"; por outro, parábolas como as das dez virgens e dos talentos apontam para uma espera prolongada.

A esperança na vinda de Jesus faz parte do nosso DNA. Nossa identidade está alicerçada na convicção da proximidade do fim. Contudo, a passagem das gerações pode favorecer o enfraquecimento da fé, gerando incerteza, indiferença ou falta de compromisso.

Diante disso, é necessário lembrar a natureza condicional de determinadas profecias, cujo cumprimento está relacionado à resposta humana. Nesse contexto, a demora não se deve à falha das promessas divinas, mas à falta de preparo espiritual e de santidade do povo de Deus. Ellen White afirmou: "Por 40 anos, incredulidade, murmuração e rebelião excluíram o antigo Israel da terra de Canaã. Os mesmos pecados têm atrasado a entrada do Israel moderno na Canaã celestial. Em nenhum dos casos houve culpa por parte das promessas de Deus. É a incredulidade, o mundanismo, a falta de consagração e a contenda entre o professo povo de Deus que nos têm detido neste mundo de pecado e dor por tantos anos."¹

Ao mesmo tempo, temos uma missão a cumprir, levando as boas-novas da salvação até os confins da Terra (cf. Mateus 24:14). Nesse sentido, a pregação do evangelho não é apenas um dever, mas também um meio pelo qual cooperamos com o plano divino, pois “não devemos apenas esperar, mas também apressar 'a vinda do Dia de Deus' (2 Pedro 3:12). Se a igreja de Cristo tivesse feito a obra que lhe foi designada, como Ele ordenou, o mundo inteiro já haveria sido advertido e o Senhor Jesus teria vindo à Terra em poder e grande glória”.²

De fato, "o Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada. Pelo contrário, Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9). Nessa perspectiva, a aparente demora revela a longanimidade divina. O “relógio de Deus” segue um compasso perfeito, indicando que há um tempo determinado, que “não conhece pressa nem demora”, para o cumprimento de Seus propósitos.

Devemos viver cada dia em vigilância e serviço e manter acesa a chama da esperança

Explicar a demora enfatizando apenas razões humanas pode conduzir ao legalismo, ao desespero ou ao ceticismo. Por outro lado, destacar exclusivamente as razões divinas tende a favorecer a passividade e a indolência. A perspectiva bíblica, porém, aponta para a harmonia entre a capacitação divina e a responsabilidade humana.

Portanto, mais do que oferecer uma explicação para o “porquê” do tempo, o foco das Escrituras recai sobre a atitude do crente: viver cada dia em vigilância e serviço, como se fosse o último, e manter acesa a chama da esperança. Não é tempo de enfraquecer essa convicção, justificando-nos pela aparente demora; ao contrário, é tempo de fortalecer o compromisso, guardando firmemente "a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel" (Hebreus 10:23).

STANLEY ARCO é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

Referências

¹ Ellen G. White, Evangelismo (CPB, 2023), p. 482.

² Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (СРВ, 2021), р. 508.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Questão de santidade

 

Questão de santidade

Pag. 2

Honrar os idosos é uma expressão concreta de nossa fé

WELLINGTON BARBOSA

Para muitos cristãos, o livro de Levítico é apenas um conjunto de leis ultrapassadas, restritas ao contexto do antigo Israel. Por essa razão, alguns acreditam que sua relevância tenha sido reduzida após o sacrifício de Cristo no Calvário. Contudo, essa compreensão é limitada e prejudicial, pois minimiza tanto a origem divina desse livro quanto a atualidade dos princípios que ele apresenta.

Na realidade, Levítico é “o embrião do evangelho e, a partir dele, o Novo Testamento pode ser mais bem compreendido”.¹ A primeira parte do livro (capítulos 1 a 16) trata das normas relacionadas ao santuário; a segunda (capítulos 17 a 27) apresenta prescrições referentes à santidade na vida cotidiana. Nessa seção, destaca-se o capítulo 19, considerado por alguns estudiosos como “a mais elevada expressão da ética no Antigo Testamento”.² Por meio de uma série de exortações, o texto evidencia a profunda relação entre a piedade pessoal e as responsabilidades para com o próximo.

Entre as dezenas de instruções contidas nesse capítulo, uma parece especialmente negligenciada pela sociedade contemporânea: “Fique em pé na presença dos idosos, honre a presença do ancião e tema o seu Deus. Eu sou o Senhor" (Levítico 19:32). Em uma cultura que exalta a juventude, a beleza e o vigor, essa ordem divina constitui um contraponto oportuno, que nos leva a refletir sobre uma virtude cada vez mais rara: a capacidade de reconhecer a riqueza presente nos cabelos brancos.

De fato, as cãs simbolizam muito mais do que a longevidade, digna de respeito. O cabelo grisalho “fala de batalhas combatidas, vitórias ganhas, fardos suportados e tentações vencidas. Fala de pés fatigados próximos de seu descanso, de lugares que logo ficarão vagos”.³ A sabedoria que acompanha os idosos convida os mais jovens a encontrar uma base sólida sobre a qual construir a própria trajetória, aprendendo com os acertos, os erros e as lições daqueles que já percorreram caminhos que eles apenas começam a trilhar.

Contudo, embora esse tesouro de experiências acumuladas esteja à disposição da sociedade, o que se observa no Brasil vai na contramão da orientação divina. De acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, entre janeiro e maio de 2026, foram registradas mais de 535 mil violações de direitos contra pessoas idosas no país.⁴ Isso inclui abandono, negligência e violência física, psicológica, patrimonial, financeira, institucional e sexual.

Como adventistas do sétimo dia, não podemos nos omitir diante dessa triste realidade. Em resposta à ordem do Senhor, devemos nos levantar para promover a valorização, o respeito, a dignidade e a proteção dos idosos, não somente em nossa comunidade de fé, mas também no contexto social onde exercemos nossa influência. Mais do que um dever moral, essa é uma expressão prática da santidade que Deus espera de Seu povo.

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista

Referências

¹ F. D. Nichol (org.), Comentário Bíblico Adventista (CPB, 2011), v. 1, p. 749.

² Mark F. Rooker, Leviticus (Broadman & Holman, 2000), v. 3A, p. 250.

³ Ellen G. White, Princípios Sobre Aposentadoria (CPB, 2024), p. 27.

⁴ Conselho Federal de Enfermagem, "Violência contra pessoas idosas cresce e mobiliza debate sobre envelhecimento no Brasil", disponível em: https://www.cofen.gov.br/violencia-contra-pessoas-idosas-cresce-e-mobiliza-debate-sobre-envelhecimento-no-brasil.

terça-feira, 21 de julho de 2026

VIGILÂNCIA NA ERA DAS INCERTEZAS

 

VIGILÂNCIA NA ERA DAS INCERTEZAS

Pags. 8, 9, 10, 11, 12 e 14

Como interpretar as profundas transformações mundiais da atualidade à luz das profecias bíblicas

DIOGO CAVALCANTI

O mundo como o conhecíamos deixou de existir. Uma série de transformações simultâneas redesenham a ordem internacional e a própria história diante dos nossos olhos. Movimentações geopolíticas, conflitos militares, disrupção tecnológica e industrial nos levam à perplexidade, a um senso de hesitação, dúvida e desrealização (de que não parece real) perante fatos que nos assustam. Não escapamos ao assombro em relação a acontecimentos que ora confirmam ora parecem contradizer elementos centrais da nossa escatologia, e isso não vem de hoje (veja o quadro).

“PERIGOS APOCALÍPTICOS”

Basta entender um pouco de política, economia e história para perceber que vivemos em meio a um terremoto geopolítico, a começar pela ordem mundial. Há poucos anos liderada isoladamente pelos Estados Unidos, essa posição agora é disputada pela China, que já ascendeu ao patamar de superpotência. Após crescer a taxas superiores a 10% por mais de três décadas, o país asiático atingiu a marca de 18,4 trilhões de dólares do PIB,¹ de acordo com o Banco Mundial (2024). Para se ter uma ideia da enormidade desse salto, em 1995 o PIB chinês era menor que o do Brasil.²

Em 30 anos, o país asiático subiu à estratosfera geopolítica, tornando-se líder mundial em inúmeras áreas, da indústria espacial à computação quântica. A China também tem oito entre as dez melhores universidades do mundo.³ Toda essa pujança não decorreu da assimilação de valores democráticos. Pelo contrário: mantém um massivo aparato tecnológico de controle, através de milhões de câmeras e de um sistema de crédito social. Ao redor do mundo, as novas tecnologias, que prometiam disseminar a liberdade e a democracia, acabaram por miná-las. Em alguns países islâmicos, por exemplo, câmeras e computadores monitoram populações inteiras. Por sua vez, ao redor do mundo, as interações digitais, reguladas por algoritmos, acabaram produzindo uma acirrada polarização política e ideológica que explode em fanatismo e violência.

Em meio ao sucesso do autoritarismo tecnológico, as democracias ocidentais se veem cada vez mais enfraquecidas. Assim, em um panorama de feroz disputa geopolítica, há uma pressão crescente para que a governança se torne mais centralizada, nacionalista e autoritária. Daí abre-se o caminho para líderes demagógicos prometendo milagres.

Por outro lado, fatores diversos como as desigualdades econômicas, o aumento da violência, conflitos armados e a gravíssima queda da taxa de natalidade nos países mais ricos estão ligados à imigração em massa recente, com 281 milhões de imigrantes e 117 milhões de refugiados, segundo relatório da ONU, de 2022.⁴

Como não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial, uma luta sangrenta entre nações, com anexação de territórios, voltou a ser travada em solo europeu. Nesse ínterim, outros conflitos eclodiram no Oriente Médio e têm relação com o conflito europeu. A proliferação e a interrelação de guerras, bem como as tensões que se espalham pelo planeta leva o mundo inteiro a temer pelo pior. O resultado é a maior corrida armamentista desde a Guerra Fria, com 2,9 trilhões de dólares em gastos militares somente em 2025.⁵

Isso lembra os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914 (veja o quadro). Para piorar, os arsenais nucleares recentemente deixaram de estar sob a restrição de acordos internacionais. As principais potências se comprometeram a modernizar e ampliar seus estoques, dando um péssimo exemplo a outras nações que aspiram se nuclearizar.

Por essa e outras razões, o relógio do fim do mundo, criado por cientistas atômicos, foi adiantado para 85 segundos para a meia-noite, sua pior posição desde sua criação nos tempos da Guerra Fria. Segundo um parecer dos estudiosos, “entendimentos globais arduamente conquistados estão desmoronando, acelerando uma competição entre grandes potências [...] e minando a cooperação internacional crítica para reduzir os riscos de guerra nuclear, mudanças climáticas, uso indevido da biotecnologia, a ameaça potencial da inteligência artificial e outros perigos apocalípticos.”⁶

FIM DO SÉCULO 19 ATÉ 1914

No auge da Segunda Revolução Industrial, com grandes invenções e uma euforia generalizada, as rivalidades entre potências coloniais estouram na Primeira Guerra Mundial, provocando o colapso da ordem mundial fundamentada na supremacia europeia.

Perspectiva adventista

Uma visão pessimista de uma Europa fragmentada (Daniel 2) contrariava as expectativas de um futuro brilhante e utópico, apontando para um iminente cenário de guerra (Mateus 24) e tensões crescentes até o Armagedom (Apocalipse 16).

PÓS-1945

Reordenação geopolítica do pós-guerra em torno da bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética.

Perspectiva adventista

A visão pessimista da história confirmada pelas duas guerras mundiais (Mateus 24) é fortemente surpreendida pelo surgimento de uma nação antagônica à hegemonia profética dos Estados Unidos.

VIGIAR O TEMPO

“Vigiar” é um imperativo bíblico (1 Coríntios 16:13; 1 Pedro 5:8). O verbo original, grēgoreō, tem que ver com estar acordado e vigilante, alerta,⁷ em contínua prontidão.⁸ Significa manter uma preparação espiritual, porém relacionada ao tempo profético (Mateus 24:42). Não sabemos o momento exato da vinda do Senhor, mas Ele nos indicou sinais de sua proximidade, como os tempos de uma nova estação: o verão e a colheita. É interessante notar que, em hebraico, a palavra para “verão” (qayits) tem que ver com “fim” (qēts). Essa é uma conexão evidente em Amós: “O que você está vendo, Amós? E eu respondi: 'Um cesto de frutos de verão [qayits]. Então o SENHOR me disse: Chegou o fim [qēts] para o Meu povo de Israel" (Amós 8:1, 2). O fim é metaforizado como um fruto maduro, algo que chega ao ponto final de um processo.

Na mente dos discípulos, que falavam aramaico, mas tinham noções vivas do hebraico, a parábola da figueira teve profundo impacto. “Aprendam a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, vocês sabem que o verão está próximo. Assim, também vocês, quando virem todas estas coisas, saibam que está próximo, às portas" (Mateus 24:32, 33). Essa parábola lança um princípio profético tão negligenciado quanto abusado em nossos dias: observar apropriadamente os tempos em que vivemos.

Não podemos ignorar os fatos e levar nossa vida adiante sem nenhuma preparação. Isso decorreria da indiferença não só aos acontecimentos, mas à própria autoridade da Bíblia. Ser indiferente é agir como os antediluvianos (Mateus 24:37-39), os céticos e os zombadores (2 Pedro 3:3, 4). Também é a postura do protestantismo secularizado que abraçou a abordagem preterista de estudo das profecias apocalípticas e que não vê qualquer significância nos fatos atuais.

Contudo, Jesus chamou atenção à importância “de vermos estas coisas", ou seja, os acontecimentos ou sinais (Mateus 24:1-31), como uma indicação de que o verão – a maturação e o fim da história humana de pecado – está próximo. Contudo, isso não deve nos levar ao alarmismo. Ele é marcante na abordagem futurista, a qual costuma chamar atenção para fatos específicos do presente como cumprimentos escatológicos gritantes.

Ao “ler” a realidade atual, nosso desafio é enxergar o cumprimento da profecia na história, e o presente também faz parte dela. Porém não podemos torcer a história para harmonizá-la à nossa interpretação profética e muito menos torcer a profecia para harmonizá-la à história, dizendo, por exemplo, que a China é o dragão de Apocalipse 12.

PÓS-1991

Reordenação geopolítica com o colapso da União Soviética e o estabelecimento da unipolaridade norte-americana.

Perspectiva adventista

A queda da União Soviética favoreceu a visão da supremacia americana no tempo do fim, enquanto a solidificação das democracias desafiou a visão escatológica adventista sobre perseguição religiosa (Apocalipse 13).

A PARTIR DE 2020

Intensa reordenação geopolítica em torno da multipolaridade, da eclosão de conflitos regionais, da disputa entre potências, da criação de zonas de influência, de um enfraquecimento dos direitos individuais e da incerteza quanto à coexistência pacífica.

Perspectiva adventista

A ascensão chinesa e a multipolaridade desafiam a capacidade de os Estados Unidos liderarem a imposição de um futuro decreto em escala global. Por outro lado, surpreendentemente, discursos antidemocráticos ganham força, enquanto crises e incertezas globais abrem espaço para uma “nova” liderança com influência global (Apocalipse 13:1-8).

PRINCÍPIOS ÚTEIS

A fim de evitar os extremos da indiferença e do fanatismo, precisamos estar atentos tanto à forma de olhar para o texto bíblico quanto para a realidade atual. Seguem quatro princípios básicos:

1. O estudo das profecias deve ser multifacetado. Imagine um diamante: ele tem várias faces; cada uma reflete a luz de uma maneira. Para desenhar bem um diamante e compreendê-lo, é preciso contemplar cada uma de suas faces. Assim também é o estudo das profecias de Daniel e do Apocalipse. Precisamos começar por uma forma bíblica de interpretar – uma hermenêutica bíblica – seguida por uma exegese ou interpretação do texto específico que contemple todos os elementos envolvidos: a língua original, a etimologia, bem como a morfologia, a gramática, a sintaxe, o contexto literário, o tempo em que o texto foi escrito, a literatura e a iconografia da época, sem nos esquecer da relação do texto com o restante das Escrituras. Também é vital considerar a mensagem profética, em grande parte, incompreensível a Daniel e João quando a escreveram (Daniel 7:15; 8:27; 12:4, 8, 9). Porém, essa mensagem se tornaria compreensível no tempo do fim à luz da história (Daniel 12:4; João 16:4; Apocalipse 10:1-11) que se estende desde o tempo do autor bíblico até os dias atuais, segundo o modelo da explicação historicista bíblica do anjo-intérprete em Daniel 7 (v. 17, 23-27).

2. É preciso observar as grandes tendências atuais e não se perder com distrações periféricas ou não reveladas. Aspectos como o ano da volta de Jesus e dispositivos relacionados à marca da besta são pautas de uma visão futurista da realidade. Não devemos perder tempo com o que a Palavra não revelou (Deuteronômio 29:29). O grande ponto é: Como as tendências ajudam a mostrar em que direção os ventos da história seguem? Quais situações proféticas seriam plausíveis? Por exemplo, as sociedades democráticas estão mais ou menos inclinadas a abrir mão dos direitos individuais? Essa é uma forma mais segura de ler os tempos em que vivemos e descobrir se a água está esquentando antes de ela começar a ferver.

3.A história humana não é determinista nem caótica, mas avança de acordo com a concessão divina. É certo que os líderes humanos têm liberdade para tomar suas decisões, mas não significa que Deus abandonou a Terra (deísmo) nem que Ele determina cada evento (uma filosofia determinista da história). Deus dá liberdade para a ação humana, mas também estabelece limites que, quando ultrapassados, levam à ruína de líderes (Daniel 4:29-33) e potências mundiais (Daniel 5:27-31). A própria existência dos países ocorre por concessão divina (Atos 17:26, 27).

4. Acontecimentos históricos podem surpreender nossas expectativas, mas ao final confirmam a profecia. Após 1945, muitos questionavam o cumprimento da visão adventista de Apocalipse 13, pelo fato de existir uma superpotência antagônica e rival aos Estados Unidos, a União Soviética. Hoje é tão surpreendente a ascensão da China quanto o aparente declínio dos Estados Unidos e isso parece contradizer todo o nosso entendimento de Apocalipse 13. Porém, os eventos ainda estão se desenrolando e coisas podem mudar: a China pode ter graves retrocessos, e os problemas que afligem os Estados Unidos podem ser contornados por medidas extremas que levem, mais cedo ou mais tarde, ao cenário profético. Medidas desesperadas geralmente ocorrem em situações de grave crise, e alianças se formam quando a força de uma única parte é insuficiente. Então, cabe aqui uma pergunta: A segunda besta de Apocalipse 13 age somente a partir de uma posição de força ou também de fraqueza, pelo fato de precisar se aliar e se submeter à primeira besta? O que um evangelicalismo cada vez mais envolvido na política indica como tendência para os próximos anos? O que uma ala liberal-secular cada vez mais agressiva aos princípios judaico-cristãos indica sobre a batalha decisiva de Daniel 11?

Ellen White afirmou que “a Bíblia revela a verdadeira filosofia da história”⁹ e que “na Palavra de Deus [...] a cortina é afastada, e contemplamos em todas as dimensões e em toda a marcha e contramarcha das paixões, do poder e dos interesses humanos a força de um Ser misericordioso, que executa, de forma silenciosa e paciente, as determinações de Sua própria vontade.”¹⁰ Isso nos tranquiliza, anima e dá esperança. Os fatos atuais fazem aparecer blips no nosso radar, por um lado confirmando as profecias. Por outro, notamos coisas estranhas e novas às nossas expectativas. Isso nos faz mais humildes em relação aos detalhes e ao mesmo tempo confiantes na palavra profética e na direção divina.

DIOGO CAVALCANTI, ex-gerente editorial associado da CPB, é estudante do PhD em Teologia do Antigo Testamento pela Universidade Andrews (EUA)


Referências

¹ World Bank, "GDP (current US$) - China", https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.CD?locations=CN.

² Alexandre Pierro, "O que o Brasil deve aprender com a China", Empresas & Negócios, 18 de julho de 2025, https://jornalempresasenegocios.com.br/artigos/o-que-o-brasil-deve-aprender-com-a-china.

³ Leiden Ranking Traditional Edition, https://traditional.leidenranking.com/ranking/2025/list; Mark Arsenault, "Chinese Universities Surge in Global Rankings as U.S. Schools Slip", The New York Times, 15 de janeiro de 2026, https://www.nytimes.com/2026/01/15/us/harvard-global-ranking-chinese-universities-trump-cuts.html.

⁴ OIM-ONU, "Relatório Mundial sobre Migração de 2024 revela as últimas tendências e desafios mundiais para a mobilidade humana", 7 de maio de 2024, https://brazil.iom.int/pt-br/news/relatorio-mundial-sobre-migracao-de-2024-revela-ultimas-tendencias-e-desafios-mundiais-para-mobilidade-humana#:~:text=Com%20281%20milhões%20de%20migrantes,milhões%20ao%20final%20de%202022.

⁵ Stockholm International Peace Research Institute, "Global military spending rise continues as European and Asian expenditures surge", 27 de abril de 2026, https://www.sipri.org/media/press-release/2026/global-military-spending-rise-continues-european-and-asian-expenditures-surge.

⁶ "It is now 85 seconds to midnight", Bulletin of the Atomic Scientists, https://thebulletin.org/doomsday-clock/2026-statement/.

⁷ James Swanson, Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains: Greek (New Testament (Logos Research Systems, 1997); Logos Bible Software.

⁸ Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains (United Bible Societies, 1996), p. 332.

⁹ Ellen G. White, Educação (CPB, 2021), p. 123.

¹⁰ White, Educação, p. 123.

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