"O fundamento está firme.
De vez em quando encontramos, na egreja, pessoas receiosas de que a obra de Deus não será levada ao triumpho final, pois vêm ou imaginam ver imperfeições entre os membros da egreja. Vendo que alguns abandonam a verdade para não mais andar comnosco, el-les começam a raciocinar do modo seguinte: «Se de facto esta é a verdade, porque então será que o irmão Miranda se desviou della?>>>
Faremos bem em lembrar-nos de que durante todos os seculos Deus tem levado avante a Sua obra, embora se servisse de ins-trumentos fracos e imperfeitos. Certa occa-sião o proprio Abrahão, pae dos crentes, induziu sua esposa a fallar uma mentira. Gen. 12:11-13. Sarai, esposa de Abrahão, riu-se da promessa de Deus e depois mentiu, dizendo: «Não me ri.» Gen. 18:15. Aarão commetteu um erro grave no deserto, unindo-se ao povo em fazer um bezerro de ouro afim de reconduzir os israelitas para Egypto. Do mesmo modo Moysés, chefe es-colhido por Deus para dirigir o movimento daquelle tempo, errou estando já a ponto de entrar na Terra promettida. Os cadaveres de muitos que sairam do Egypto com destino á Terra da Promessa, ficaram no deserto. Afinal, porém, e mão obstante tudo isso, aquel-le movimento triumphou, si bem que muitos não tiveram parte nesse triumpho.
Isso sempre tem-se dado relativo á obra de Deus. Entre os discipulos havia um Ju-das Iscariotes. Pedro, tambem um dos dis-cipulos escolhidos, em vez de corajosamente ser fiel ao Senhor, negou-o tres vezes. E «muitos dos seus discipulos tornaram para traz, e já não andavam com elle.» Mas embora todos O abandonassem e fugissem comtudo era Jesus o Filho do Deus vivo.
Tambem encontramos, entre os crentes de então, ambição e invejas, pois a mãe dos filhos de Zebedeu pediu ao Mestre conceder aos seus filhos posição e honra especiaes; havia tambem rancor o que motivou a sugges-tão impia de fazer cair fogo do céu sobre aquelles que não quizeram receber a Jesus e os seus discipulos. Mais adiante lemos co-mo João Marcos, vencido por saudades da casa materna, ficou desanimado, abandonou o seu dever e voltou para traz. Lemos de como umas viuvas sensiveis e dadas a achar de-feitos perturbaram a paz da egreja primitiva, pois suppunham que não estavam recebendo o auxilio que lhes era devido. (Act. 6:1-4.) Egualmente lemos que, na egreja de Corintho, havia divisões. Parece que teria sido um problema bem difficil encontrar-se um pas-tor que satisfizesse a todo o corpo de cren-tes daquelle tempo. Nem mesmo Paulo ou o eloquente e poderoso Apollo, e nem o apos-tolo Pedro que prégou no dia de Pentecostes, teria sido acceitavel para todos elles. Entre-tanto havia alguns que eram «de Christo», isto é christãos, e a obra do Senhor progre-diu e o evangelho foi prégado a toda a creatura debaixo do céu. Col. 1:23,
Todos estes exemplos nos ensinam uma lição de confiança e certeza. Certo é que, até o fim do tempo, acharemos na egreja lethargia espiritual. Haverá murmurações e queixas, bem como ambição e egoismo. Al-guns apostatarão e denunciarão a fé que uma vez amaram, mas apesar de tudo isso a Pa-lavra de Deus garante que esta obra é de Deus.
No Apocalypse, cap. 14:6-14 temos a profecia dum grande movimento evangelico; aqueles pois que aceitam esta mensagem constituem um povo profético; e esta profecia não pode falhar. É possível que lobos entrem no rebanho, e o dispersem, mas a mensagem permanece sobre um fundamento sólido e firme. A nossa fé deve estar ancorada na Palavra de Deus, e não nos homens, pois só assim a nossa ancora estará segura na mais violenta tempestade; só assim permaneceremos firmes até o fim.
G. B. Thompson."
("ARTIGOS GERAES", Revista Adventista, Abril de 1920, p. 1 e 2)