Seguidores

terça-feira, 29 de setembro de 2026

CONTRA A CORRENTE

 

CONTRA A CORRENTE

Pags. 30 e 31

A decisão diária de fazer a vontade de Deus, lutando contra influências contrárias

YORRANA DE LIMA PEREIRA


Diversas vezes fui questionada por meus colegas sobre minhas crenças. Quando isso acontecia, eu tentava demonstrar, com amor, aquilo que a Bíblia ensina. Apesar disso, eles usavam o que eu dizia para me transformar em motivo de zombaria. Eu me sentia frustrada, como se estivesse jogando “pérolas diante dos porcos” (Mateus 7:6).

Esse tipo de situação fez com que eu fosse excluída. Frequentemente, eu procurava meus pais e pastores pedindo conselhos, pois sentia que estava cada vez mais sozinha, apesar de estar rodeada de pessoas. Porém, com o tempo, entendi que agradar a Deus tem um preço e percebi que ser fiel a Ele é melhor do que ser aceita pelas pessoas.

Depois de vivenciar situações como essa, percebi que não se trata de uma realidade isolada. Muitos jovens cristãos enfrentam diariamente a pressão exercida pelas redes sociais, pelos colegas de escola e até mesmo por amigos mais próximos. Alguns agem de maneira semelhante à dos outros, contrariando seus valores para se encaixar em determinado grupo. Assim, vários jovens acabam sendo levados por amigos guiados pelas coisas triviais do mundo, por não terem uma base sólida firmada nas Escrituras, o que os leva a ter dificuldade em se posicionar quando são questionados acerca de suas crenças. Outros, pela falta de comunhão com Cristo, encontram-se distantes do ideal do Salvador para sua vida e são facilmente influenciados por ideias secularizadas.

Isso mostra que o maior desafio não está apenas nas influências externas, mas em quem ou no que ocupa o seu coração. Quando nossa identidade não está enraizada em Jesus, qualquer voz ao redor pode se tornar mais alta do que a voz de Deus. É desejo de Cristo nos transformar, pelo poder do Espírito Santo, em portadores de Sua luz neste mundo de trevas. Porém, Ele não pode habitar em um coração que coloca pessoas, objetos, paixões, sonhos e ambições no lugar que Lhe pertence. Paulo aconselhou: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Ou seja, é preciso ter consciência do propósito divino para que haja firmeza na hora de negar os prazeres mundanos.

EXEMPLOS

A Bíblia apresenta exemplos de jovens que enfrentaram situações em que foram desafiados a deixar de lado aquilo em que acreditavam, por estarem em ambientes contrários aos seus princípios. Entretanto, eles permaneceram fiéis. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Daniel, um jovem que foi levado cativo para a Babilônia durante o exílio de Judá. Diante de tantas influências, ele demonstrou que ser fiel independe do lugar ou da condição; depende de quem governa sua vida.

Qual era o segredo de Daniel? A comunhão com Aquele que era seu modelo de vida.

Ellen White afirmou: “Os jovens precisam sempre conservar diante de si a conduta seguida por Cristo, a qual era a cada passo um procedimento vitorioso. Cristo não veio à Terra como rei para governar nações. Veio como homem humilde para ser tentado, vencer a tentação e prosseguir, como nós devemos fazer, conhecendo ao Senhor. No estudo de Sua vida aprenderemos quanto Deus, por meio Dele, fará em favor de Seus filhos.”¹ Logo, a fidelidade a Deus é sempre possível, desde que estejamos com os olhos fixos no Salvador. Somos chamados a viver como Daniel, na contramão deste mundo.

Diante disso, fazer a vontade de Deus não requer apenas boas intenções, mas também ações práticas e apoio espiritual. Buscar orientação com pastores é essencial, pois nem todos têm o privilégio de nascer em uma família cristã estruturada. Ainda assim, sempre que possível, contar com o direcionamento da família é crucial para fortalecer a fé e enfrentar os desafios.

Além disso, é necessário ter cautela ao escolher as amizades, pois elas podem levar o jovem a glorificar a Deus ou a se aproximar do mundo. Como Ellen White aconselhou: “Não podemos ser menos cuidadosos quanto aos companheiros que escolhemos. Atentem para o que há de nobre no caráter dos outros, e esses traços se tornarão uma força moral para que possam resistir ao pecado e escolher o bem.”²

CAMINHO SEGURO

Mesmo buscando refúgio em Cristo, não estamos livres de enfrentar provações – como humilhação, zombaria e exclusão –, pois o próprio Jesus advertiu: “No mundo, vocês passam por aflições” (João 16:33). No entanto, isso não significa que devemos viver tristes ou desanimados, pois esse tipo de situação contribui para moldar o caráter e fortalecer a fé (Tiago 1:12).

Por isso, é muito importante manter a comunhão com o Criador por meio do estudo da Bíblia, da oração e da entrega diária de nossa vida, de nossos planos, sonhos e desafios. Só assim estaremos profundamente enraizados na Videira, prontos para suportar os obstáculos que vêm com a decisão de seguir a Jesus e defender a verdade (João 15:5-8). É cultivando esse relacionamento com o Senhor que também estaremos aptos a ser Seus mensageiros fiéis, em qualquer circunstância.

Não vale a pena renunciar aos princípios divinos para seguir um mundo que “está sob o poder do Maligno” (1 João 5:19) e que, em breve, findará. Em meio às dúvidas, à constante pressão e aos empecilhos que surgem no caminho, cada decisão demonstra a quem estamos escolhendo seguir. Ser fiel a Deus não é o caminho mais fácil, mas sempre será o mais seguro.

Ao longo da jornada, percebemos que é mais fácil enfrentar a rejeição, a zombaria e a exclusão quando temos uma vida de comunhão com Cristo, pois, quando o deserto vier, Ele estará lá para nos acompanhar, sustentar e capacitar a continuar.

No fim, amar a Deus é uma decisão diária, feita todas as manhãs, quando entregamos nosso coração a Ele e nos colocamos à disposição para o Seu serviço, mesmo que isso exija andar na contramão do mundo. Que a nossa decisão, apesar de qualquer pressão, seja de permanecer fiéis a Cristo, buscando ter uma identidade bíblica.

Há um Salvador que anseia, em breve, poder nos abraçar e dizer: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; Eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do Seu Senhor” (Mateus 25:21).

YORRANA DE LIMA PEREIRA é estudante do segundo ano do Ensino Médio

Referências

¹ Ellen G. White, Mensagens aos Jovens (CPB, 2021), p. 13.

² White, Mensagens aos Jovens, p. 123.


Revista Adventista - Junho 2020 - Pg. 30, 31

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

NÃO É O FIM

 NÃO É O FIM ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE OS SINAIS GERAIS E O SINAL DECISIVO DA PROXIMIDADE DA VOLTA DE JESUS

 ERTON KÖHLER 

A lista dos sinais gerais começa alertando contra o engano, mas em seguida apresenta um dos maiores medos da humanidade: “guerras e rumores de guerras”. Lembra, porém, que “ainda não é o fim” (v. 6). Também haverá fome, pestes e terremotos, mas “tudo isto é o princípio das dores” (v. 8). 

Jesus ainda fala de tribulação, perseguição religiosa, escândalo, traição, O FIM NÃO VIRÁ PELA GRAVIDADE DA CRISE, MAS PELO AUMENTO DA ESPERANÇA; NEM SERÁ DEFINIDO PELO CRESCIMENTO DO MAL, MAS PELAS OPORTUNIDADES DE DEUS ódio, falsos profetas, aumento da iniquidade e falta de amor. Apenas aquele que “perseverar até o fim, esse será salvo” (v. 13). 

Três vezes Jesus mostra que os sinais gerais não são finais. Eles são apenas um processo de alerta. O sinal iminente do fim é apresentado em Mateus 24:14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” Ficou claro? O fim não virá pela gravidade da crise, mas pelo aumento da esperança; nem será definido pelo crescimento do mal, mas pelas oportunidades de Deus. 

Ellen White é assertiva: “Dando o evangelho ao mundo, está em nosso poder apressar a volta de nosso Senhor” (O Desejado de Todas as Nações, p. 633).

 Por isso, quem ama a volta de Cristo prega o evangelho, busca o poder do Espírito Santo, vence a vergonha ou acomodação e se levanta para testemunhar. Não espalha uma mensagem de condenação e medo, mas um convite de esperança e salvação. Afinal, condenação é uma consequência da rejeição e nunca o objetivo principal da mensagem bíblica. O “evangelho do reino” é a volta de Jesus, e o convite para sua proclamação está nas mãos de um povo que nasceu pregando Sua vinda e sofreu por ela, que carrega essa mensagem em seu nome e no centro de suas crenças fundamentais. É um chamado especial para cada adventista do sétimo dia. Não podemos perder o foco. É importante conhecer os detalhes da Covid-19 e suas consequências, estudar sobre tragédias, catástrofes e outros sinais gerais, mas sem que isso se torne mais importante do que a pregação do evangelho. Apenas quando colocarmos todo o coração no cumprimento da missão a história de dor e sofrimento deste mundo terá seu ponto final. ] 

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul o ler o título deste artigo você pode imaginar que estou enfraquecendo nossa esperança ou subestimando o significado profético da pandemia da Covid-19, mas este não é meu objetivo. Não tenho dúvidas de que a crise atual é gravíssima e tem uma relação direta com a volta de Jesus, mas ela não é o ponto final da história.

 É preciso deixar de lado as muitas vozes que interpretam os eventos finais com base na percepção, e estudar mais profundamente a Bíblia em busca da verdadeira explicação. Apenas ela pode livrar do engano, medo e alarmismo. O capítulo 24 de Mateus é esclarecedor. Nele há muitas informações sobre o tempo e os sinais da segunda vinda. São ensinos apresentados pelo próprio Cristo, “Aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4:8). Sua reposta aos discípulos começa com uma lista de sinais gerais e termina com aquele que deverá ser o sinal iminente de Sua vinda (Mt 24:3-14). Os sinais gerais são apenas indicativos. Sempre aconteceram, mas se intensificarão perto do fim. Já o sinal iminente demonstrará que o fim realmente chegou. Ele é definitivo. É importante acompanhar os sinais gerais, mas manter o foco no sinal iminente.

Revista Adventista - Maio 2020. 

domingo, 27 de setembro de 2026

A Escatologia do Capítulo 10 de Apocalipse: Perspectivas Teológicas

 

A Escatologia do Capítulo 10 de Apocalipse: Perspectivas Teológicas

Klemens Rabelo

 O capítulo 10 do Apocalipse ocupa uma posição singular como interlúdio dramático entre a sexta e a sétima trombetas. A narrativa apresenta figuras marcantes, como o anjo forte envolto em nuvens, o livrinho aberto, os sete trovões selados e o ato profético de ingerir o livro, que resulta em sabor doce na boca e amargo no estômago. Diante de símbolos tão densos, diferentes correntes teológicas construíram leituras distintas sobre o significado e o alcance escatológico do texto, refletindo métodos exegéticos particulares.

A perspectiva Historicista Adventista

No âmbito do pensamento teológico, a perspectiva da Igreja Adventista do Sétimo Dia utiliza o método historicista para interpretar o texto como um panorama contínuo da história da salvação. Para os adventistas, o anjo forte é identificado com o próprio Cristo em Sua atuação soberana sobre a Terra e o mar. O “livrinho aberto” corresponde à seção profética do livro de Daniel, que permaneceu selada até o advento do “tempo do fim”, associado a 1798. A experiência agridoce de João simboliza o Movimento Milerita entre 1840 e 1844: a expectativa jubilosa pelo retorno de Cristo revelou-se doce, mas o desapontamento de 22 de outubro de 1844 gerou profunda amargura. Esse episódio não invalidou a mensagem, mas impulsionou a continuidade da pregação do evangelho, fundamentando a identidade e a missão mundial da igreja.

Corrente futurista

Em contrapartida, a corrente futurista, especialmente em sua vertente dispensacionalista, afasta-se do historicismo e defende que os capítulos 4 a 22 do Apocalipse descrevem eventos futuros, centrados no período da Grande Tribulação que antecede o estabelecimento do Reino de Cristo. Sob essa ótica, o capítulo 10 constitui um parêntese no fluxo dos juízos escatológicos. O anjo é visto como um ser celestial criado, e os sete trovões representam juízos rigorosos e secretos, cuja natureza Deus não revelou a João. Essa perspectiva enfatiza que o controle da história permanece sob a soberania divina antes da consumação dos reinos terrestres.

Corrente preterista

Por sua vez, a corrente preterista — vertente que sustenta o cumprimento das profecias no passado, primordialmente no primeiro século da era cristã e no contexto das crises que envolveram o judaísmo e o Império Romano — interpreta o capítulo sob a ótica dos desafios enfrentados pela igreja primitiva. O livrinho nas mãos do mensageiro aponta para a revelação dos desígnios divinos acerca da derrocada da antiga ordem religiosa. O sabor amargo simboliza a perseguição enfrentada pelos primeiros cristãos, enquanto a ordem para continuar profetizando destaca a necessidade de manter o testemunho do Evangelho apesar da forte oposição existente no contexto imperial da época.

Conclusão

Em conclusão, a análise do capítulo 10 de Apocalipse revela como diferentes pressuposições hermenêuticas moldam a compreensão da soberania divina e do papel da igreja na história. Enquanto o futurismo projeta os símbolos para uma consumação escatológica futura e o preterismo os ancora nas crises do mundo antigo, a posição adventista destaca o texto como elemento central para a compreensão da gênese e da continuidade de sua missão profética contemporânea, transformando o desapontamento histórico em impulso para a proclamação das verdades finais.

Fontes da pesquisa

Artigo acadêmico: DARIUS, Fábio Augusto; FOLLIS, Rodrigo. Apocalipse 10: bases textuais para a consolidação de uma memória adventista a partir de seu evento fundante. Revista Estudos Teológicos, UNASP.

Material oficial/apresentação: LEMOS, Felipe. Curso Avançado do Apocalipse: Capítulo 10 — João e o Livrinho. Disponível em transmissões oficiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Referência teológica institucional: Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (CBASD), v. 7.


O Doutor Klemens Rabelo é Advogado, Jornalista e escritor.

Mora em Brasilia, e é membro da igreja Adventista de Aguas Claras 

sábado, 26 de setembro de 2026

Compartilhando a visão

 

Compartilhando a visão

Pag. 17

Quem responde pela preservação e promoção dos escritos de Ellen White?

PATRIMÔNIO LITERÁRIO ELLEN G. WHITE

O Patrimônio Literário Ellen G. White é uma organização criada por disposição testamentária de Ellen White para ser responsável pela guarda de seus escritos, administração de seus bens, “condução dos negócios relacionados a eles", "garantia da publicação de novas traduções” e “impressão de compilações a partir de [seus] manuscritos". Seu testamento, datado de 9 de fevereiro de 1912, nomeou cinco líderes da igreja para compor uma comissão de depositários: Arthur Daniells, presidente da Associação Geral; William White, filho da Sra. White; Clarence Crisler, secretário; Charles Jones, diretor-geral da editora Pacific Press; e Francis Wilcox, editor da Review and Herald. Quatro dos cinco eram membros do Comitê Executivo da Associação Geral.

A nomeação dos depositários era vitalícia. Ellen White estabeleceu que “se, por qualquer motivo, ocorre[sse] uma vaga entre os referidos depositários, ou seus sucessores, a maioria dos depositários sobreviventes ou remanescentes fica[ria], por este meio, autorizada e incumbida de preencher tal vaga mediante a nomeação de outra pessoa idônea"; ou caso essa disposição não pudesse ser cumprida, caberia ao Comitê Executivo da Associação Geral realizar a nomeação para suprir a vacância. O testamento destinava a maior parte das receitas de direitos autorais, presentes e potenciais, provenientes de seus livros ao trabalho dos depositários.

Com a morte de Ellen White, em 16 de julho de 1915, esse conselho autoperpetuante passou a funcionar. Pouco depois, vendeu os bens imobiliários de Ellen White, consistindo principalmente de Elmshaven, sua residência próximo a Santa Helena, e então deu início ao cuidado contínuo de seu patrimônio literário.

Nos termos do testamento, essas responsabilidades se distribuíam em três áreas: (1) a posse dos direitos autorais de seus escritos, bem como o cuidado e a promoção de seus livros em língua inglesa; (2) a preparação de manuscritos e o incentivo à tradução e publicação de seus escritos em outros idiomas; e (3) a custódia dos arquivos de manuscritos e outros documentos, além da seleção de conteúdos dos arquivos de manuscritos de Ellen White para publicação.

Atualmente, o conselho assume uma quarta responsabilidade, que se desenvolveu naturalmente ao longo dos anos: tornar os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia e outras pessoas mais familiarizados com Ellen White e sua obra.*

Referência

*Adaptado de Seventh-day Adventist Encyclopedia (Review and Herald, 1996), v. A-L, p. 503.


Revista Adventista - Junho 2026

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

APOSTA PERIGOSA

 É correto jogar na loteria se eu doar uma grande parte do prêmio para a igreja?

Clinton Wahlen

Essa é uma pergunta interessante que as pessoas fazem com frequência. As loterias e outras formas oficiais de jogo de azar estão se tornando cada vez mais aceitas e existem em dezenas de países. A internet também possibilitou que pessoas participem de bolsas internacionais de apostas. É possível apostar em resultados futuros de esportes, política, economia e outras áreas de grande interesse público. Esse mercado de previsão está se tornando extremamente popular, mas será que é moralmente aceitável participar da loteria ou de outras formas de jogo de azar?

Em primeiro lugar, é importante mencionar que ganhar na loteria difere significativamente de receber prêmios em sorteios promocionais e outras distribuições de brindes que não exigem qualquer pagamento para participar. Os sorteios promocionais são decididos de maneira aleatória, enquanto o jogo de azar exige que a pessoa contribua com dinheiro para um fundo comum, que então é usado para custear a administração do jogo e pagar os prêmios aos vencedores. No jogo de azar, não há apenas vencedores, mas também perdedores. Além disso, pode causar dependência, destruindo a vida de muitas pessoas e famílias.

Em segundo lugar, todos os que jogam na loteria ou arriscam dinheiro em qualquer outro jogo de azar esperam ganhar mais do que contribuem e, de preferência, muito mais. Mas esse prêmio é retirado do dinheiro dos participantes que perderam. Assim, o jogo de azar constitui uma forma sutil de roubo, pois o vencedor tira dinheiro de pessoas que não querem perdê-lo. Isso viola o mandamento: “Não furte” (Êxodo 20:15). Além disso, fere o décimo mandamento: “Não cobice […] coisa alguma que pertença ao seu próximo” (Êxodo 20:17; cf. Romanos 7:7). Jesus também advertiu: “Tenham cuidado e não se deixem dominar por qualquer tipo de avareza, porque a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que ela tem” (Lucas 12:15). A palavra grega para “cobiçar” (pleonekteō) significa “querer mais”.

A Bíblia é clara ao afirmar que Deus não deseja dinheiro adquirido de maneira errada. O salário de uma prostituta não deveria ser levado à casa de Deus (Deuteronômio 23:18). Até mesmo os sacerdotes que conspiraram para crucificar Cristo reconheceram que era impróprio colocar no tesouro do templo o “preço de sangue” recebido por Judas (Mateus 27:6). Da mesma forma, doar à igreja dinheiro obtido por meio de jogos de azar não santifica esse ganho.

Alguns podem se perguntar se o jogo de azar é realmente tão diferente de outras formas de assumir riscos. Um empreendimento financeiro, incluindo investimentos em ações, não envolve algum tipo de risco? De fato, envolve, mas não consiste em tirar dinheiro de outras pessoas. Além disso, um risco calculado, com alta probabilidade de sucesso, é muito diferente de um jogo de azar, no qual os participantes raramente obtêm lucro. O princípio da diversificação dos investimentos geralmente garante que, ao longo do tempo, os investimentos bem-sucedidos superarão significativamente os malsucedidos, produzindo um lucro líquido. Deus espera que, como mordomos, usemos com sabedoria os recursos que Ele nos confiou, conforme ilustra a parábola dos talentos (Mateus 25:14-30). O Senhor afirma: “Honre o Senhor com os seus bens” (Provérbios 3:9); e exorta cada um, como mordomo, a ser “encontrado fiel” (1 Coríntios 4:2).

CLINTON WAHLEN é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica

(Artigo publicado na seção “Boa Pergunta” da Revista Adventista de setembro/2026)

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Pequenos Inícios, Grandes Resultados

 Pequenos Inícios, Grandes Resultados

PJ - Pag. 76 

Entre a multidão que ouvia os ensinos de Jesus, havia muitos fariseus. Cheios de desdém, observavam quão poucos de Seus ouvintes O reconheciam como o Messias. E perguntavam de si para si como esse mestre despretensioso poderia elevar Israel ao domínio universal. Como poderia Ele, sem riquezas, poder ou honra, fundar um novo reino? Cristo lhes leu os pensamentos e respondeu:

"A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?" Mar. 4:30. Em governos terrenos nada havia que pudesse servir de comparação. Nenhuma sociedade civil Lhe podia fornecer um símile. "É como um grão de mostarda", disse "que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na Terra; mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra." Mar. 4:31 e 32.

O embrião, contido na semente, cresce pelo desenvolvimento do princípio vital que Deus nele implantou. Seu desenvolvimento não depende de meios humanos. Assim é com o reino de Cristo. Há uma nova criação. Os princípios de desenvolvimento são diretamente opostos aos que regem os reinos deste mundo. Governos terrenos prevalecem pelo emprego da força; pelas armas mantêm o seu domínio, mas o fundador do novo reino é o Príncipe da paz. O Espírito Santo representa os reinos terrestres mediante o símbolo de feras; mas Cristo é "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". João 1:29. Em Seu plano de governo não há o emprego da força bruta para compelir a consciência. Esperavam os judeus que o reino de Deus fosse estabelecido do mesmo modo que os do mundo. Para promover justiça, recorriam a medidas externas. Forjavam planos e métodos. Mas Cristo implanta um princípio. Implantando a verdade e a justiça, frustra o erro e o pecado.

Ao proferir Jesus esta parábola, a mostardeira podia ser vista perto e longe, erguendo-se sobre a relva e os cereais, balançando seus galhos levemente no ar. Os pássaros esvoaçavam de galho em galho e chilreavam entre a folhagem. Contudo, a semente de que surgiu essa planta gigantesca, era a menor de todas as sementes. Primeiro despontou um tenro broto; mas possuía bastante vitalidade, cresceu e floresceu até alcançar grande tamanho. Assim, a princípio, o reino de Cristo parecia humilde e insignificante. Comparado com os reinos terrestres, dir-se-ia ser o menor de todos. O direito de Cristo a ser rei, era ridicularizado pelos governantes deste mundo. Todavia, o reino do evangelho possuía vida divina nas poderosas verdades confiadas a Seus seguidores. E como foi rápido o seu crescimento! Que amplitude de influência! Quando Cristo pronunciou essa parábola, era o novo reino representado apenas por uns camponeses galileus.

Sua pobreza e minoria foram apresentadas repetidamente como motivo por que os homens não se devessem unir a esses pescadores simples que seguiam a Jesus. Mas o grão de mostarda deveria crescer e estender seus ramos por todo o mundo. Quando passassem os reinos terrestres, cuja glória enchia então os corações, o reino de Cristo perduraria ainda como uma vasta e forte potência.

Assim a obra da graça no coração é pequena ao princípio. É dita uma palavra, um raio de luz projetado na alma, exercida uma influência que é o início da nova vida; e quem pode medir os resultados?

A parábola do grão de mostarda não só ilustra o crescimento do reino de Cristo, mas, em cada fase de seu desenvolvimento, repete-se a experiência nela apresentada. Para Sua igreja, em cada geração, Deus tem uma verdade peculiar e um serviço especial. A verdade, oculta aos sábios e entendidos deste mundo, é revelada às criancinhas e aos humildes. Exige sacrifício próprio. Há combates para se ferirem e vitórias para serem conquistadas. De início seus adeptos são poucos. Pelos grandes do mundo e por uma igreja de espírito mundano são repelidos e desprezados. Vede João Batista, o precursor de Cristo, sozinho censurando o orgulho e formalismo do povo judeu! Vede os primeiros defensores do evangelho na Europa! Obscura e desanimadora parecia a missão de Paulo e Silas, os dois fazedores de tendas, quando, com os companheiros, embarcavam em Trôade para Filipos! Vede o "idoso Paulo", pregando a Cristo, acorrentado na cidadela dos Césares. Vede as pequenas comunidades de escravos e camponeses em conflito com o paganismo de Roma Imperial. Vede Martinho Lutero, resistindo àquela poderosa igreja que é a obra-prima da sabedoria deste mundo. Vede-o mantendo a Palavra de Deus contra o imperador e o papa, declarando: "Aqui estou; não posso proceder doutra forma. Deus me auxilie!"

Vede João Wesley pregando a Cristo e Sua justiça em meio do formalismo, sensualidade e incredulidade. Vede alguém que, doendo-lhe a miséria do paganismo, roga o privilégio de lhes levar a mensagem do amor de Cristo. Ouvi a resposta do eclesiasticismo: "Sente-se, moço. Quando Deus quiser converter os pagãos, fá-lo-á sem o meu nem o seu auxílio."

Os grandes guias do pensamento religioso desta geração anunciam os louvores daqueles que plantaram a semente da verdade há séculos, e erguem-lhes monumentos. Não abandonam muitos esta obra para espezinhar o renovo que hoje em dia desponta da mesma semente? Repete-se o velho clamor: "Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este [Cristo no mensageiro que Ele envia] não sabemos de onde é." João 9:29. Como em épocas primitivas, as verdades especiais para este tempo não se acham com as autoridades eclesiásticas mas com homens e mulheres, que não são demasiado instruídos nem sábios demais para crer na Palavra de Deus.

"Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são." I Cor. 1:26-28. "Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." I Cor. 2:5.

Nesta última geração, a parábola do grão de mostarda deve alcançar notável e triunfante cumprimento. A pequena semente tornar-se-á uma árvore. A última mensagem de advertência e misericórdia deve ir "a toda nação, e tribo, e língua, e povo" (Apoc. 14:6), para "tomar deles um povo para o Seu nome" (Atos 15:14); e a Terra será iluminada por Sua glória. (Apoc. 18:1.)


Ellen White - Parabolas de Jesus - pg. 76 - 79

sábado, 19 de setembro de 2026

A HORA TRANQUILA

 

A HORA TRANQUILA

Pags. 1 e 4

por Tercio Sarli

O poder de uma nova paixão

Este é o título de um interessante capítulo do livro Colunas do Caráter, do Prof. Siegfried J. Schwantes. Esse notável escritor e teólogo da Igreja, mostra, com clareza e propriedade, como o mal que muitas vezes quer aninhar-se em nosso coração, pode ser substituído e vencido por um novo amor, uma nova razão de viver e de ser feliz.

Na realidade, uma lei fundamental que Deus colocou no mundo espiritual e moral é a lei da substituição. Isso significa que o único meio de se livrar de algo ruim em nossa vida, é substituí-lo por algo bom. Não se pode simplesmente pôr de lado um mau pensamento, um mau hábito, uma tendência perniciosa, como se descarta um objeto qualquer sem maiores conseqüências. No reino espiritual, na vida cristã, o segredo da vitória é o que está registrado na Palavra de Deus: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rom. 12:21). Aliás, esse princípio é verdadeiro também no âmbito do sentimento e da emoção. Uma paixão só pode ser vencida por uma outra paixão.

Alguns grandes filósofos do passado, como Sócrates e Platão, ensinavam que o simples conhecimento do bem era suficiente para se vencer o mal. Alimentavam uma ingênua confiança no poder do pensamento e do conhecimento como força propulsora do bem e da virtude. Ledo engano. Como bem comenta o autor do livro citado, o que prende o homem aos vícios e ao pecado não é nenhuma convicção ditada pela lógica. São liames afetivos cujas raízes se prendem a impulsos básicos da natureza humana. Só um novo amor, mais poderoso e mais sublime, pode romper as cadeias de uma prática viciosa ou de uma paixão inconveniente, longamente acariciada.

Foi Cristo quem introduziu um novo elemento capaz de regenerar o homem e a sociedade - o amor. Só o verdadeiro e genuíno amor pode conquistar o homem todo e expulsar dos recessos de sua personalidade os demônios do egoísmo e da desvirtuada sensualidade. Ensina o insigne escritor de Colunas do Caráter: "A paixão desvairada que arrasta o indivíduo para o lodaçal do pecado, deve se opor à paixão santa que ergue o homem para perto de Deus." A vitória está na correta substituição. Esse sublime princípio se encontra mesmo no âmago do próprio plano de salvação, que fez com que Cristo morresse em nosso lugar, para que nós pudéssemos nos salvar. Ele foi o nosso substituto na cruz, o que nos tornou aceitáveis a Deus.

"A batalha no âmbito do espírito, e no campo moral, se dá entre fogo e fogo. O fogo da paixão que degrada e avilta, ou o fogo da paixão que purifica e eleva." - Ibidem. Ninguém pode viver no vazio. O coração rejeita o vácuo. Como escreveu o poeta Adelmar Tavares tão belamente:

*A gente nunca está só:

Ou se está com uma saudade

De um sonho desfeito em pó,

Ou se está com uma esperança

De nova felicidade,

No coração que não cansa.

Sempre uma sombra com a gente,

Constantemente,

Uma sombra boa ou má;

Só é que nunca se está.*

Há sempre uma luta entre o bem e o mal dentro de nós. Cada um tenta levar a vitória. Como fazer vencer o bem? Pela lei da substituição ou da ocupação do lugar. Sua leitura tem sido imprópria para a sua formação espiritual? Troque-a por bons livros. Seus companheiros exercem influência negativa sobre você? Troque-os por amigos de ideal elevado e conduta edificante. Seu tempo livre tem sido gasto em diversões duvidosas, em satisfação carnal? Ocupe-o com atividades nobres, e gaste parte dele na comunhão com Deus, e na meditação. Leia a Bíblia diariamente em espírito de oração. Leitura continuada, para ter uma visão completa do trato de Deus com Seus filhos. Mesmo um capítulo por dia. Terminada a leitura em Apocalipse, comece novamente pelo Gênesis. Para se inspirar e fortalecer-se com o exemplo e os ensinamentos de Cristo, leia o livro O Desejado de Todas as Nações. Você vai sentir-se cada vez mais perto de Deus. Com essas leituras diárias, seu coração será inundado de bons pensamentos, sua vontade se fortalecerá na direção do bem, suas más tendências serão dia a dia vencidas e substituídas por sentimentos bons. Assim, você entrará na região da paz.

Cartas:

"Tenho 25 anos de idade e sou adventista. Muito antes de conhecer o que é a Hora Tranqüila, eu já a praticava, só não tinha nome. Todas as noites, antes de dormir eu canto, oro e leio a Bíblia e também abro o meu coração a Deus contando tudo que ocorreu comigo durante o dia de trabalho. Quero pedir a vocês que se lembrem de orar por mim para que Deus me dê força, fé e sabedoria para aceitar as Suas decisões sem questionar, pois Ele, e mais ninguém, sabe o que é melhor para cada um de nós. Estarei orando por vocês também." - Elequissandra de Oliveira Alves; Rua Martim Afonso, 39, Belém; CEP 03057-010 São Paulo, SP

Escrevam para:

Clube da Hora Tranqüila

Caixa Postal 101

13160-000- Artur Nogueira, SP

Um jornal a serviço da igreja

Postagens de Destaque