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terça-feira, 28 de julho de 2026

Os Anjos Ajuntarão os Filhos de Deus

 

Os Anjos Ajuntarão os Filhos de Deus


Pag. 13

"E ELLE enviará os Seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quaes ajuntarão os Seus escolhidos." S. Math. 24:31.

Taes são as palavras do Salvador. Quande Elle vier pela segunda vez, enviará Seus anjos a reunir Seus filhos, e os levará para a patria, para o logar que foi preparar. Os filhos de Deus estão espalhados de uma a outra extremidade da terra; durante todos os seculos passados, desde a morte do martyr Abel, um após outro os filhos de Deus teem sido levados ao repouso da sepultura. Elles, descansam de seus labores. Mas o Senhor vela sobre o pó. Sabe onde se encontram, e chamal-os-á de seu leito poento. Alguns teem estado a dormir por muitos annos; outros apenas por pouco tempo, mas todos serão chamados, revestidos da immortalidade. Então os anjos os hão de reunir de todos os logares, conduzindo-os ao lar, á cidade de Deus.

Imaginemos uma familia que tem servido fielmente ao Senhor. Nasceram no Brasil. Seu primogenito fora-lhes tirado nos tenros annos da infancia, e os paes, com corações partidos, haviam-n'o depositado na pequenina sepultura. Tempos passados, porém, essa familia muda-se para Hespanha, indo residir proximo de Madrid. Emquanto ahi, outro de seus filhinhos passa a dormir até á manhã da resurreição. Afinal esta familia se muda para a Cidade do Cabo, na Africa. Mais tarde teem elles de dizer adeus a outro filho, acompanhando-o com olhos lacrimosos a seu derradeiro repouso, alli na Africa.

Mas eis que Jesus vem buscar Seus filhos para a patria. Os paes serão num momento transformados, num abrir e fechar de olhos, da mortalidade á immortalidade. A voz potente de Jesus echoará pela terra, e os mortos em Christo sahirão do sepulcro. Então, um anjo será enviado áquella sepulturasinha no Brasil. Os homens poderão haver esquecido o local. O pequeno monte que marcava outrora o logar, poderá haver sido nivelado com o resto da terra, mas Deus sabe onde é, e o anjo ha de conduzir o pequenino aos braços de seus paes. Outro anjo será mandadó a Madrid, ao sepulero do pequenino que alli dorme, ao passo que outro voará para a sepultura da Cidade do Cabo, e assim se reunirá a familia e, juntamente com seu Senhor e Salvador partirão para aquele logar onde a morte jamais terá entrada.

Sim, Elle está para voltar, e aquelle dia será glorioso para os filhos de Deus. Então nos encontraremos para não mais nos separar. Nunca mais a cruel mão da morte arrebatará de nosso seio os entes queridos. Jamais nosso coração será despedaçado pela dor, nem nossas faces inundadas pelo pranto. Terá findado então a noite do soffrimento, para dar logar ao eterno dia da paz. Havemos de estar então sempre no lar, na praia serena. Que reunião será essa dos fieis! Que o Senhor prepare nosso coração para aquelle grande dia! N. P. NEILSEN.


Revista Adventista Janeiro 1930

Prece -- Margarida Lopes de Almeida

 

Prece -- Margarida Lopes de Almeida


Senhor!

Venho dar-Te,

a sorrir, toda a minha alegria,

minha imensa alegria,

minha felicidade,

meu riso, meu amor...

Senhor,

todos vêm a Ti para chorar,

para implorar, para suplicar de Ti

Consolação, auxílio,

bênção e perdão.

Eu não, Senhor,

eu venho para dar!

Sobeja-me ventura!

Transborda em minha vida,

Sol, fulgor, claridade,

e meu sonho de amor e de beleza

foi bem menor do que a realidade.

Eu venho para dar!

Recebe em Tuas mãos,

habituadas a receber

preces, imprecações,

lágrimas e desesperos,

um ramo perfumado,

de lírios e de rosas,

de cantos e sorrisos,

de hosanas e de graças.

Toma de mim

um pouco de ventura,

para dares a cada criatura

que na vida não conheça a glória de ser feliz!

Tenho-a tanta, meu Deus,

que embora a tomes,

fica-me farta messe, para distribuir

e para dar ainda!

Quero que todos saibam

minha alegria infinda,

quero gritar ao mundo

que amo a vida,

que é bela, e boa,

e forte e apetecida!

E que mesmo que um dia

minha sorte se transforme de súbito,

e o que é bom e alegre

a morte me arrebate das mãos com crueldade,

eu bendirei a vida, na saudade

de um bem que tive,

e que é tão grande

que há de iluminar

mesmo a treva mais densa e mais profunda.

Senhor,

uma luz fulgurante os meus olhos inunda,

toma-me um pouco de luz,

derrama-a sobre aquêle que é cego

de ventura, ou mau, ou pervertido.

E deixa-me dizer-Te com amor:

Obrigada, Senhor,

por ter nascido-

obrigada, Senhor!


Revista Adventista. - Fevereiro 1960 Pag. 10

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A essência e a prática da pregação transformadora

 A essência e a prática da pregação transformadora

Milton Andrade

Apregação é mais do que um discurso; é um chamado à transformação. Seu propósito não é meramente informar, mas conduzir vidas à salvação. Ao combinar instrução técnica com profunda espiritualidade, o livro A Loucura da Pregação (CPB, 2026, 192 p.) apresenta-se como um guia prático e inspirador.

Escrita pelo pastor Alejandro Bullón, a obra aborda desde os aspectos técnicos da pregação – como a preparação de sermões, a realização de apelos, a comunicação que alcança o coração da audiência e a correta interpretação do texto bíblico – até a essência que sustenta toda mensagem: uma vida centralizada em Cristo.

Como o autor ressalta, pregar vai além de palavras bem escolhidas ou de argumentos persuasivos. Trata-se de viver aquilo que se anuncia. Sem uma rotina consistente de oração e uma comunhão genuína com Deus, o pregador não consegue cumprir sua missão com eficácia. A pregação não é entretenimento, mas uma tarefa sagrada que envolve decisões com implicações eternas.

Um dos pontos altos do texto é o apelo à simplicidade. O pregador deve ser claro e objetivo, evitando a superficialidade, mas também resistindo à tentação de complicar o evangelho com teorias abstratas. Jesus, o maior exemplo de pregador, é apresentado como Aquele que, com palavras simples e práticas, tocava corações endurecidos, oferecendo respostas às necessidades mais profundas do ser humano.

O centro da pregação é Cristo. Sermões sem Ele são comparados à oferta de Caim: vazios de virtude, por mais belos que pareçam. A verdadeira pregação transforma vidas porque exalta a Cristo, que é o centro das Escrituras. No entanto, o autor alerta que uma pregação cristocêntrica só pode nascer de uma vida igualmente cristocêntrica. Sem isso, o pregador corre o risco de se tornar uma figura eloquente, mas espiritualmente estéril.

Outro aspecto destacado é a responsabilidade de interpretar e comunicar a Palavra de Deus de maneira fiel e relevante. O texto precisa impactar o coração do pregador antes de alcançar a audiência. Afinal, como alguém pode transmitir emoção ou promover transformação se não as experimentou primeiro?

Por isso, este guia não ensina apenas algumas técnicas; ele inspira uma visão elevada do papel do pregador: a de um servo humilde, usado por Deus para tocar vidas e glorificar o nome de Cristo.

MILTON ANDRADE é editor da revista Ministério

(Resenha publicada na seção “Estante” da Revista Adventista de maio/2026)

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Até que Ele venha

 

Até que Ele venha

Pag. 4

Uma espera marcada pela fé, comunhão e missão

STANLEY ARCO

Há uma tensão aparente entre o “já” e o “não ainda"; entre a iminência da segunda vinda e a aparente demora no cumprimento da promessa. Por um lado, Jesus e os apóstolos exortam a viver com senso de urgência, pois o Senhor “está às portas"; por outro, parábolas como as das dez virgens e dos talentos apontam para uma espera prolongada.

A esperança na vinda de Jesus faz parte do nosso DNA. Nossa identidade está alicerçada na convicção da proximidade do fim. Contudo, a passagem das gerações pode favorecer o enfraquecimento da fé, gerando incerteza, indiferença ou falta de compromisso.

Diante disso, é necessário lembrar a natureza condicional de determinadas profecias, cujo cumprimento está relacionado à resposta humana. Nesse contexto, a demora não se deve à falha das promessas divinas, mas à falta de preparo espiritual e de santidade do povo de Deus. Ellen White afirmou: "Por 40 anos, incredulidade, murmuração e rebelião excluíram o antigo Israel da terra de Canaã. Os mesmos pecados têm atrasado a entrada do Israel moderno na Canaã celestial. Em nenhum dos casos houve culpa por parte das promessas de Deus. É a incredulidade, o mundanismo, a falta de consagração e a contenda entre o professo povo de Deus que nos têm detido neste mundo de pecado e dor por tantos anos."¹

Ao mesmo tempo, temos uma missão a cumprir, levando as boas-novas da salvação até os confins da Terra (cf. Mateus 24:14). Nesse sentido, a pregação do evangelho não é apenas um dever, mas também um meio pelo qual cooperamos com o plano divino, pois “não devemos apenas esperar, mas também apressar 'a vinda do Dia de Deus' (2 Pedro 3:12). Se a igreja de Cristo tivesse feito a obra que lhe foi designada, como Ele ordenou, o mundo inteiro já haveria sido advertido e o Senhor Jesus teria vindo à Terra em poder e grande glória”.²

De fato, "o Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada. Pelo contrário, Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9). Nessa perspectiva, a aparente demora revela a longanimidade divina. O “relógio de Deus” segue um compasso perfeito, indicando que há um tempo determinado, que “não conhece pressa nem demora”, para o cumprimento de Seus propósitos.

Devemos viver cada dia em vigilância e serviço e manter acesa a chama da esperança

Explicar a demora enfatizando apenas razões humanas pode conduzir ao legalismo, ao desespero ou ao ceticismo. Por outro lado, destacar exclusivamente as razões divinas tende a favorecer a passividade e a indolência. A perspectiva bíblica, porém, aponta para a harmonia entre a capacitação divina e a responsabilidade humana.

Portanto, mais do que oferecer uma explicação para o “porquê” do tempo, o foco das Escrituras recai sobre a atitude do crente: viver cada dia em vigilância e serviço, como se fosse o último, e manter acesa a chama da esperança. Não é tempo de enfraquecer essa convicção, justificando-nos pela aparente demora; ao contrário, é tempo de fortalecer o compromisso, guardando firmemente "a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel" (Hebreus 10:23).

STANLEY ARCO é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

Referências

¹ Ellen G. White, Evangelismo (CPB, 2023), p. 482.

² Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (СРВ, 2021), р. 508.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Questão de santidade

 

Questão de santidade

Pag. 2

Honrar os idosos é uma expressão concreta de nossa fé

WELLINGTON BARBOSA

Para muitos cristãos, o livro de Levítico é apenas um conjunto de leis ultrapassadas, restritas ao contexto do antigo Israel. Por essa razão, alguns acreditam que sua relevância tenha sido reduzida após o sacrifício de Cristo no Calvário. Contudo, essa compreensão é limitada e prejudicial, pois minimiza tanto a origem divina desse livro quanto a atualidade dos princípios que ele apresenta.

Na realidade, Levítico é “o embrião do evangelho e, a partir dele, o Novo Testamento pode ser mais bem compreendido”.¹ A primeira parte do livro (capítulos 1 a 16) trata das normas relacionadas ao santuário; a segunda (capítulos 17 a 27) apresenta prescrições referentes à santidade na vida cotidiana. Nessa seção, destaca-se o capítulo 19, considerado por alguns estudiosos como “a mais elevada expressão da ética no Antigo Testamento”.² Por meio de uma série de exortações, o texto evidencia a profunda relação entre a piedade pessoal e as responsabilidades para com o próximo.

Entre as dezenas de instruções contidas nesse capítulo, uma parece especialmente negligenciada pela sociedade contemporânea: “Fique em pé na presença dos idosos, honre a presença do ancião e tema o seu Deus. Eu sou o Senhor" (Levítico 19:32). Em uma cultura que exalta a juventude, a beleza e o vigor, essa ordem divina constitui um contraponto oportuno, que nos leva a refletir sobre uma virtude cada vez mais rara: a capacidade de reconhecer a riqueza presente nos cabelos brancos.

De fato, as cãs simbolizam muito mais do que a longevidade, digna de respeito. O cabelo grisalho “fala de batalhas combatidas, vitórias ganhas, fardos suportados e tentações vencidas. Fala de pés fatigados próximos de seu descanso, de lugares que logo ficarão vagos”.³ A sabedoria que acompanha os idosos convida os mais jovens a encontrar uma base sólida sobre a qual construir a própria trajetória, aprendendo com os acertos, os erros e as lições daqueles que já percorreram caminhos que eles apenas começam a trilhar.

Contudo, embora esse tesouro de experiências acumuladas esteja à disposição da sociedade, o que se observa no Brasil vai na contramão da orientação divina. De acordo com a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, entre janeiro e maio de 2026, foram registradas mais de 535 mil violações de direitos contra pessoas idosas no país.⁴ Isso inclui abandono, negligência e violência física, psicológica, patrimonial, financeira, institucional e sexual.

Como adventistas do sétimo dia, não podemos nos omitir diante dessa triste realidade. Em resposta à ordem do Senhor, devemos nos levantar para promover a valorização, o respeito, a dignidade e a proteção dos idosos, não somente em nossa comunidade de fé, mas também no contexto social onde exercemos nossa influência. Mais do que um dever moral, essa é uma expressão prática da santidade que Deus espera de Seu povo.

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista

Referências

¹ F. D. Nichol (org.), Comentário Bíblico Adventista (CPB, 2011), v. 1, p. 749.

² Mark F. Rooker, Leviticus (Broadman & Holman, 2000), v. 3A, p. 250.

³ Ellen G. White, Princípios Sobre Aposentadoria (CPB, 2024), p. 27.

⁴ Conselho Federal de Enfermagem, "Violência contra pessoas idosas cresce e mobiliza debate sobre envelhecimento no Brasil", disponível em: https://www.cofen.gov.br/violencia-contra-pessoas-idosas-cresce-e-mobiliza-debate-sobre-envelhecimento-no-brasil.

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